O lado sombrio do GEO: como a obsessão por aparecer nas IAs pode destruir seu SEO

Felipe Bazon Felipe Bazon

09/06/2026

9 min de leitura

Enquanto o mercado corre para alimentar ChatGPT, Gemini e AI Overviews com conteúdo em escala, muitas empresas estão reproduzindo velhos erros do SEO. O resultado pode ser perda de autoridade, desperdício de crawl budget e até problemas de spam.

GEO (Generative Engine Optimization) é um dos grandes tópicos do SEO nos últimos meses. Já está mais do que claro que a busca pelo topo da SERP não é mais suficiente: agora, é preciso otimizar para ser citado e referenciado pelas IAs.

Só que enquanto alguns líderes e profissionais de SEO podem pensar que a chave é só produzir mais conteúdo, a realidade é que esta ação pode produzir justamente o contrário (e até pior): além de não aparecer nas respostas das IAs, ainda pode prejudicar os resultados do SEO tradicional.

Por isso, quem não entender a verdade sobre GEO pode estar cavando a cova do seu site, piorando o que já existe.

Por que o mercado está transformando GEO em uma fábrica de conteúdo?

A ansiedade para aparecer no ChatGPT, Gemini, Perplexity e AI Overviews é grande. Como as respostas são muito mais personalizadas do que antigamente, alguns acham que a chave é criar dezenas de conteúdos parecidos. Só que não é bem assim que funciona.

GEO só funciona quando fortalece a qualidade, a autoridade e a utilidade do conteúdo. Quando vira um atalho para tentar manipular respostas geradas por IA, ele pode destruir o que o SEO deveria impulsionar.

Essa foi uma reflexão trazida por Matt Diggity, em um e-mail de sua newsletter (que inclusive recomendo muito), e estou de pleno acordo com o que ele diz.

Isso não é só opinião, é embasamento. O próprio guia do Google de otimização para recursos de IA Generativa na busca afirma que o ranqueamento em experiências como AI Overviews e AI Mode ainda está enraizado nos sistemas centrais de ranqueamento e qualidade.

Em outras palavras: GEO (Generative Engine Optimization) não é um passe livre para “hackear a IA”. Do ponto de vista do Google, otimizar para buscas generativas continua sendo otimizar para a experiência de busca, com base em um SEO sólido e bem feito.

O que o Google realmente diz sobre GEO e busca generativa

Para o Google, GEO ainda faz parte de SEO quando falamos de Search. É uma extensão das boas práticas que já são conhecidas e aplicadas, não um novo universo completamente diferente.

O Google traz orientações específicas sobre otimização para features generativas na busca. 

Um forte achado que queria destacar aqui é o seguinte: criar uma página para cada possível variação de busca, pergunta ou fan-out query para manipular ranqueamento ou respostas generativas pode violar a política de scaled content abuse.

Outro ponto importante é que o Google considera spam práticas que visam manipular não só os rankings tradicionais, mas também respostas generativas em Google Search. Com isso, sites e páginas podem ranquear pior ou até sumir dos rankings.

O mapa das práticas de GEO que podem virar problema de SEO

As seguintes práticas de “GEO” (pelo menos supostamente), quando mal aplicadas, podem parecer boas, mas trazem um risco real para SEO.

  • Criar páginas para cada pergunta, prompt ou variação de busca: conteúdo de IA em escala pode virar scaled content abuse, canibalizar com outras páginas e sinalizar como doorway pages.
  • Publicar centenas de FAQs genéricas: não adianta querer responder tudo para a IA e a voz se isso for feito com conteúdo raso, repetitivo e com baixo Information Gain Score.
  • Usar IA para reescrever o que já existe: se não houver novidades no conteúdo, ele se torna commodity, sem experiência e originalidade.
  • Criar clusters gigantes sem curadoria de conteúdo: em busca de construir Topical Authority, a prática pode virar arquitetura inflada, com páginas órfãs e crawl desperdiçado.
  • Inserir schema em absolutamente tudo: dados estruturados enganosos ou não representativos podem gerar uma ação manual de rich results ao invés de facilitar a leitura por buscadores / IA.
  • Buscar menções artificiais em sites de nicho: em busca de ensinar os LLMs a reconhecerem a marca, você pode acabar sinalizando spam, manipulação de links ou reputação artificial.
  • Criar conteúdo fora do core business “só para aparecer na IA”: ao invés de capturar novas intenções de busca, isso pode diluir a sua autoridade de tópico e criar páginas sem propósito, além de afetar o crawl budget.
  • Otimizar só para resposta zero-click: as zero-click searches geralmente trazem respostas diretas, mas a tentativa pode reduzir o valor do negócio se não houver uma estratégia clara de conversão e SXO (Search Experience Optimization).

Questões técnicas indispensáveis para GEO

Tentar colocar em prática o que listei acima pode até prejudicar seus resultados ao invés de ajudar com o GEO. Para evitar que isso aconteça, algumas questões técnicas precisam ser reforçadas.

GEO não substitui SEO: ele depende do SEO

Desde meu artigo sobre tendências de SEO em 2025, venho dizendo que GEO é uma evolução do que já existia, não uma substituição.

GEO demanda conteúdos ricos em dados, que estejam bem organizados e possam ser incorporados por motores generativos, mas também demanda auditoria, atualização e monitoramento como parte da estratégia.

Em sua documentação, o Google também mostra que práticas fundamentais de SEO seguem relevantes para busca generativa, já que as features de IA usam conteúdo do índice de Search, com técnicas como RAG e Query Fan-Out.

Scaled content abuse é o maior risco

A definição do Google para scaled content abuse é a criação de muitas páginas com o objetivo de manipular rankings, sem ajudar os usuários, em especial quando as páginas não são originais ou com pouco valor.

Craping, combinação de conteúdos de outras páginas e criação de páginas com palavras-chave, mas pouco sentido para o leitor, são práticas também condenadas pelo Google.

Doorway pages continuam sendo não recomendáveis, mesmo em tempos de IA generativa

Criar páginas muito parecidas para variações de cidade, produto, pergunta ou segmento só para tentar capturar tráfego e levar o usuário para a mesma página final não é uma boa ideia, pois se aproxima de doorway abuse.

O problema não é conteúdo gerado por IA, mas sim conteúdo sem valor

Nós até já falamos aqui no blog da Hedgehog sobre como gerar conteúdo com IA. O problema não é que a Inteligência Artificial seja usada, mas sim que o uso seja feito sem critério, direcionamento e revisão humana.

O uso de IA para auxiliar com briefings, pesquisa e estruturação de conteúdo segue sendo altamente recomendável. Porém, criar textos com IA “de qualquer jeito” e subir para ter mais volume de produção passa longe de ser uma boa ideia.

Dados estruturados são poderosos, mas precisam ser usados da maneira certa

Os dados estruturados são uma peça importante para que motores generativos interpretem informações com clareza. Mas o Google deixa claro em suas diretrizes gerais de dados estruturados que existe a maneira correta de usar.

Eles devem representar o conteúdo principal da página, não podem ser enganosos ou marcar conteúdos invisíveis ao usuário. Se isso acontecer, há chances de receber uma ação manual do Google, o que pode prejudicar muito seu posicionamento e resultados.

Leia também: A maior mudança da busca do Google em 25 anos: Gemini integrado à busca, Intelligent Search Box e agentes de IA na pesquisa

O antídoto: content pruning

Em meio a tudo isso, existe um antídoto contra intuitivo, mas que pode ajudar muito: o conceito de content pruning (ou “poda de conteúdo”), que fala sobre cortar, consolidar ou desindexar páginas fracas para fortalecer o restante do site.

Matt Diggity também trouxe isso em sua newsletter, mas ele não está sozinho. O Screaming Frog propõe uma abordagem orientada por dados:

  • Podar conteúdos com zero cliques e baixíssima atividade, podendo redirecionar, noindexar ou retornar 410;
  • Atualizar conteúdos com impressões relevantes, mas CTR baixo;
  • Revisar páginas com boa posição, mas CTR abaixo do esperado.

A Ahrefs, por sua vez, reforça que content pruning pode melhorar o uso de crawl budget em sites grandes e que a remoção de páginas de baixa qualidade pode ajudar o restante do conteúdo, embora haja riscos e benefícios não garantidos nesta prática.

Em GEO, chegamos a um padrão: não basta saber o que publicar para a IA usar. mas também o que remover para que a IA e o Google confiem mais no que sobra.

O futuro das buscas pertence a quem sabe podar

Quem quer se dar bem nesta era do GEO precisa saber como conduzir suas estratégias. Deixar a parte técnica do bom e velho SEO de lado é pedir para derrapar na curva.

Como eu sempre digo, o básico é avançado. Sem conteúdo útil, SEO técnico e governança editorial, o GEO pode te levar para uma posição muito menos privilegiada do que você tanto tem sonhado.

A Hedgehog é a agência de SEO que fala e aplica a verdade sobre as novidades e tendências de SEO. Já falamos sobre GEO há muito tempo, mas sem alarde: com informações reais e relevantes para quem deseja saber o que realmente funciona.

O GEO pode prejudicar o seu SEO, mas só se for feito da maneira errada. Quem escolher o lado luminoso vai ter mais trabalho, mas também estará muito mais preparado e equipado para desfrutar ao máximo do que essa nova fase dos motores generativos nos proporciona.

Sobre o autor

Felipe Bazon

Felipe Bazon

Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.

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