Tabela de conteúdo
- 1. TL;DR
- 2. Neste artigo, você vai entender:
- 3. Como funcionam os agentes no AI Mode?
- 4. O que pode mudar na jornada de decisão?
- 5. Seu site está preparado para receber esses agentes?
- 6. Como avaliar os efeitos sobre a visibilidade e os resultados?
- 7. O que é fato e o que ainda é hipótese?
- 8. Conclusão
- 9. Referências e créditos
Os agentes de informação acompanham mudanças na web a partir dos critérios do usuário. A expansão acrescenta uma etapa à descoberta de produtos, serviços e conteúdos, com possíveis efeitos sobre visitas e decisões.
O Google começou a ampliar globalmente o acesso aos agentes no AI Mode, antes restritos aos assinantes dos planos Pro e Ultra. O anúncio de Robby Stein, vice-presidente de Produto da Busca, foi divulgado em 28 de setembro. A liberação é gradual no aplicativo do Google.
A proposta permite descrever uma necessidade e deixar que o sistema acompanhe novidades relacionadas a ela. Entre o interesse inicial e a decisão, o consumidor pode delegar ao agente uma tarefa que antes exigia novas pesquisas e visitas aos sites.
Minha leitura é que a marca passa a disputar também a seleção das informações que justificam um alerta, antes mesmo de o usuário voltar a pesquisar. O efeito sobre tráfego e conversões, porém, ainda precisa ser medido.
TL;DR
- Os agentes no AI Mode acompanham informações e avisam quando encontram novidades relevantes para o usuário.
- O recurso foi apresentado no Google I/O de maio; a novidade é a ampliação do acesso.
- Parte das consultas recorrentes pode ser delegada ao sistema.
- Informações acessíveis, atualizadas e consistentes ganham importância nessa jornada.
- O preparo técnico envolve acesso de crawlers, conteúdo disponível e integrações adequadas ao negócio.
- Protocolos como MCP e WebMCP atendem a outras possibilidades de interação, mas não foram anunciados como requisitos desses alertas.
Neste artigo, você vai entender:
- como funcionam os agentes de informação;
- o que pode mudar entre a descoberta e a decisão;
- como preparar o site para o acesso de agentes;
- onde entram o SEO, o GEO e a mensuração.
Como funcionam os agentes no AI Mode?
Os agentes de informação foram apresentados pelo Google em maio de 2026, durante o I/O.
O usuário descreve o que deseja acompanhar, e o sistema procura mudanças relacionadas àquela necessidade. A proposta combina informações de sites, notícias e publicações sociais com dados atualizados de áreas como compras, esportes e finanças.
No anúncio original, o Google exemplificou o funcionamento com a procura de um imóvel que atendesse a critérios específicos e o acompanhamento de lançamentos de tênis associados a atletas. Quando encontra uma atualização relevante, o agente envia uma síntese ao usuário.
A diferença prática está na continuidade. A pessoa apresenta seus critérios e delega parte do acompanhamento, em vez de repetir manualmente a mesma investigação.
Isso também ajuda a esclarecer o escopo do recurso: acompanhar informações e emitir um alerta não equivale, por si só, a executar uma compra ou concluir uma reserva.
O que pode mudar na jornada de decisão?
Imagine alguém que procura um produto de determinada marca, tamanho e faixa de preço. Enquanto a combinação não aparece, essa pessoa pode visitar diferentes lojas várias vezes.
Com um agente encarregado do acompanhamento, parte dessas visitas intermediárias pode deixar de acontecer. O consumidor retorna quando recebe uma informação que justifique avançar.
Esse é um cenário possível, não um resultado já demonstrado pelo lançamento.
Para o e-commerce, ele traz duas consequências que merecem ser avaliadas juntas. A loja pode perder visitas de consulta e, ao mesmo tempo, receber pessoas com critérios de compra mais definidos. O saldo dependerá da qualidade dos alertas, das fontes selecionadas e de como o usuário reage.
O mesmo raciocínio vale para inscrições, eventos, imóveis e serviços. Se a novidade que interessa ao consumidor não estiver acessível ou estiver descrita de maneira imprecisa, o agente poderá ter dificuldade para reconhecê-la.
Por isso, a discussão sobre Generative Engine Optimization precisa avançar até a utilidade da informação. O GEO trabalha a capacidade de marcas, entidades e conteúdos serem compreendidos, recuperados e referenciados. Quando há agentes envolvidos, também precisamos avaliar se eles conseguem consultar informações atualizadas e utilizar os recursos disponíveis.
Seu site está preparado para receber esses agentes?
Se parte do acompanhamento passa a ser feita por agentes, precisamos olhar para o que eles conseguem acessar e interpretar no site.
Um produto pode estar disponível, uma inscrição pode ter sido aberta ou uma condição comercial pode ter mudado. Mas essa informação precisa estar acessível, atualizada e apresentada de forma que o sistema consiga compreender o que mudou.
O preparo começa pelo acesso. Isso exige revisar robots.txt, regras de CDN e firewall, além de verificar se o conteúdo relevante está disponível em texto e se os dados estruturados correspondem à informação apresentada na página. São fundamentos que o próprio Google mantém nas orientações para seus recursos de IA.
Essa discussão se conecta à nossa análise sobre o bloqueio de bots de IA na Cloudflare. Minha posição continua sendo favorecer a descoberta e o acesso ao conteúdo público, considerando o modelo de negócio. Para aplicar essa escolha, precisamos distinguir rastreamento para busca, treinamento e acesso realizado por agentes.
Também precisamos avaliar como o site organiza suas informações e disponibiliza recursos. Sitemaps, feeds e dados estruturados ajudam a apresentar conteúdos e atualizações. O llms.txt propõe caminhos de leitura para modelos e agentes, mas não substitui os fundamentos de acesso nem é uma exigência do Google para aparecer no AI Mode.
Outras tecnologias atendem a necessidades diferentes. O ANS (Agent Name Service) trata da identidade verificável dos agentes. Um servidor MCP disponibiliza dados e ferramentas para aplicações de IA compatíveis. Já o WebMCP, abordado no nosso guia de protocolos para agentes de IA, permite expor ações estruturadas na própria página, facilitando a interação de agentes com o site.
Na minha visão, avaliar e implementar essas condições faz parte do GEO. A prioridade deve considerar o que o agente precisa consultar ou fazer naquele site. Esses protocolos ampliam as possibilidades de interação, mas não devem ser apresentados como requisitos dos agentes de informação do Google.
Uma ferramenta pode ajudar nesse diagnóstico. A NAIA, ferramenta de GEO (Generative Engine Optimization), reúne verificações sobre bloqueios de crawlers, disponibilidade do robots.txt e do sitemap, presença de feeds e dados estruturados em JSON-LD. Também analisa o llms.txt, incluindo seu status e estrutura, e oferece a geração de uma versão sugerida.
A análise identifica ainda recursos como agents.json, Agent Card, NLWeb, servidor MCP e WebMCP. A leitura inicial dos dados estruturados cobre a home, com possibilidade de aprofundar a auditoria nas páginas internas. Isso ajuda a localizar barreiras de acesso e avaliar o que falta para disponibilizar informações ou ações aos agentes.
O resultado deve orientar prioridades técnicas conforme o negócio. A ausência de um protocolo não representa automaticamente uma falha, assim como uma boa pontuação não garante participação nos alertas do Google.
Como avaliar os efeitos sobre a visibilidade e os resultados?
Precisamos separar três acontecimentos: o agente acessar uma informação, utilizá-la em uma atualização e gerar uma visita ao site.
Um registro de acesso automatizado não comprova que a marca apareceu para o usuário. Uma presença no alerta também não comprova que houve clique ou influência sobre a compra.
Para investigar essa jornada, a análise deve combinar evidências:
| Evidência | O que ajuda a observar | Limitação |
|---|---|---|
| Logs de acesso | Requisições recebidas e possíveis bloqueios | Exigem verificação da identidade do agente |
| Exemplos de alertas | Marca, informações e links apresentados | Não representam todo o alcance do recurso |
| Dados de navegação | Visitas, comportamento e conversões | A origem disponível pode não identificar o alerta |
| Pedidos e leads | Resultado comercial após a visita | Não isolam, sozinhos, a influência do agente |
Essa distinção evita transformar qualquer acesso de bot em sinal de visibilidade.
Também evita outro erro: interpretar uma redução de visitas como perda automática de resultado. Se o acompanhamento eliminar consultas repetidas, mas preservar visitas que geram vendas, o efeito comercial será diferente de uma queda acompanhada por redução de receita.
As métricas de GEO precisam ajudar a investigar essas relações. A conclusão depende do conjunto de evidências, não de uma resposta isolada ou de um novo nome no relatório de tráfego.
O que é fato e o que ainda é hipótese?
Fato: o Google apresentou agentes de informação e anunciou a ampliação do acesso ao recurso.
Interpretação: delegar o acompanhamento ao sistema pode reduzir a necessidade de repetir determinadas pesquisas manualmente.
Inferência: informações acessíveis, consistentes e atualizadas oferecem melhores condições técnicas para esse acompanhamento.
Hipótese: os alertas podem reduzir visitas intermediárias e aproximar algumas visitas do momento de decisão. Ainda não há evidência apresentada neste anúncio que permita quantificar esse efeito.
Conclusão
O ponto que mais me interessa nesse lançamento é a possibilidade de o consumidor manter uma intenção ativa sem precisar voltar ao site a cada nova consulta.
Isso coloca uma responsabilidade concreta sobre as marcas: tornar mudanças relevantes encontráveis e compreensíveis. Preço, disponibilidade, localização, prazo e condições precisam representar o que o negócio realmente oferece naquele momento.
Vale olhar para uma consultoria de SEO a partir dessa pergunta: quais barreiras impedem que suas informações sejam encontradas e atualizadas corretamente? E aprofundar com uma consultoria de GEO como essas informações podem ser interpretadas e utilizadas nas experiências generativas e nas interações com agentes.
Essa é a perspectiva que orienta nosso trabalho como agência de SEO especializada em GEO: preparar a presença orgânica para os momentos em que o consumidor pesquisa, delega uma tarefa e decide.
Se o agente passa a acompanhar uma necessidade em nome do usuário, sua marca precisa oferecer informação confiável para participar dessa escolha.
Referências e créditos
- Elizabeth Reid, Google: A new era for AI Search, publicado em 19 de maio de 2026.
- Robby Stein, Google: anúncio da ampliação do acesso no X, de 28 de setembro de 2026, reproduzido na cobertura abaixo.
- Barry Schwartz, Search Engine Roundtable: Google Globally Rolls Out Monitoring Capabilities In AI Mode, publicado em 28 de setembro de 2026.
- Google Search Central: AI features and your website.
- Chrome for Developers: WebMCP is available for early preview, publicado em 10 de fevereiro de 2026.
- Model Context Protocol: documentação introdutória do MCP.
Sobre o autor
Felipe Bazon
Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.
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Felipe Bazon