Busca multimodal no Search Console: Google passa a mostrar dados de pesquisas feitas com imagens

Felipe Bazon Felipe Bazon

28/09/2026

9 min de leitura

O filtro chega aos relatórios de resultados de pesquisa e de IA generativa. A novidade revela uma parcela da descoberta visual que não aparecia nas contagens anteriores, mas mantém lacunas sobre intenção e conversão.

O Google anunciou, em set. 24, 2026, a inclusão de dados de busca multimodal no Search Console. A atualização contempla pesquisas com Google Lens, Circle to Search no Android, imagens enviadas à Busca e a opção de pesquisar uma imagem pelo Chrome. A distribuição é global e começa nessa data, segundo o anúncio de Harsh Kharbanda e Moshe Samet, do Google.

Para e-commerce, a novidade ajuda a investigar quais páginas aparecem quando o consumidor mostra o que procura, em vez de escrever.

TL;DR

  • O filtro separa buscas da web baseadas em texto daquelas que utilizam imagens.
  • A novidade alcança o relatório de resultados de pesquisa e o de recursos generativos.
  • As métricas disponíveis continuam dependendo do relatório consultado.
  • O usuário não consegue ver a foto pesquisada nem consultar uma lista de termos dessas buscas.
  • Segundo John Mueller, esses dados não estavam nas contagens anteriores.
  • Mais dados no painel não significam, necessariamente, mais visitas ou vendas.

Neste artigo, você vai entender:

  • onde encontrar o filtro e como interpretar suas opções;
  • por que busca multimodal e Google Imagens são recortes diferentes;
  • o que muda na leitura do histórico e das experiências generativas;
  • como conectar descoberta visual, SEO, GEO e resultado de negócio.

Uma oportunidade que vai além da busca por palavras-chave

Há anos, reforço nas minhas palestras a importância do Google Imagens, principalmente para e-commerce. A imagem de um produto pode ser o primeiro contato do consumidor com uma loja, antes mesmo de ele conhecer a marca ou saber exatamente o que procurar.

Pense em alguém que encontra uma cadeira em uma foto de decoração. Essa pessoa pode querer comprar algo parecido sem conhecer o fabricante, o modelo ou o nome daquele estilo. A imagem oferece um caminho para encontrar o produto que uma pesquisa por palavras talvez não resolvesse tão facilmente.

Por isso, sempre defendi que imagens precisam fazer parte da estratégia de SEO para e-commerce, e não ser tratadas apenas como elementos que ilustram a página.

O novo filtro acrescenta uma camada de mensuração a essa discussão. O Search Console já apresentava dados do Google Imagens. Agora, passamos a enxergar também impressões e cliques de resultados da web em pesquisas que utilizam imagens, incluindo o Google Lens.

Ainda é uma visão parcial. Não vemos a foto pesquisada, não conhecemos a intenção exata e o filtro reúne diferentes recursos, sem representar um relatório exclusivo do Lens. Mas conseguimos investigar com mais clareza quais páginas aparecem quando alguém usa uma imagem para procurar um produto e quantas dessas exibições geram acessos.

Para mim, essa é a principal contribuição da novidade: oferecer evidências para avaliar o papel das imagens na descoberta da loja e orientar onde vale investir em fotografias, contexto e páginas de produto.

Onde encontrar o filtro de busca multimodal?

No relatório de desempenho, abra Search type. Dentro de Web, aparecem as opções Text-based e Multimodal. Selecione a segunda e clique em Apply. A nomenclatura abaixo segue a interface em inglês mostrada pelo Google.

Figura 1. Demonstração oficial do filtro no relatório de resultados de pesquisa. Os números e o domínio example.com fazem parte da imagem ilustrativa do produto, não de um case. Crédito: Google Search Central, anúncio de Harsh Kharbanda e Moshe Samet, set. 24, 2026. Fonte.

A separação documentada pelo Google é esta:

OpçãoO que representa
Web: text-basedResultados de pesquisas iniciadas por texto na barra tradicional
Web: multimodalResultados da web de pesquisas em que uma imagem participou da consulta
ImageResultados da pesquisa de imagens, em um tipo de pesquisa separado

Fotografar um tênis para encontrar onde comprá-lo não equivale a digitar seu nome e abrir a aba de imagens. No primeiro caso, a imagem participa da pergunta; no segundo, ela é o formato de resultado procurado.

Figura 2. A ajuda da interface explica quais entradas caracterizam a busca multimodal. Crédito: captura de Tauqueer Aziz, compartilhada no X, reproduzida por Barry Schwartz no Search Engine Roundtable.

Quais métricas ficam disponíveis?

No relatório de resultados de pesquisa, o filtro permite analisar cliques, impressões, CTR e posição média. Páginas, países, dispositivos e datas ajudam a localizar onde esse desempenho se concentra. A documentação do Search Console descreve as métricas e os tipos de pesquisa.

Já o relatório generativo continua centrado em impressões. Aplicar o filtro multimodal nele não libera cliques, CTR ou posição individual das fontes.

Essa diferença merece atenção porque o nome do filtro é semelhante, mas a pergunta respondida por cada relatório muda.

O filtro também chega às experiências generativas

O anúncio oficial inclui expressamente o relatório de recursos de IA generativa. Portanto, a novidade não se limita ao painel tradicional.

No relatório de IA generativa do Search Console, é possível usar o recorte multimodal para observar impressões nas experiências contempladas pelo painel, que reúne AI Overviews e AI Mode.

Isso não significa separar o desempenho de uma interface da outra. O filtro identifica a modalidade da pesquisa, não qual produto generativo foi responsável por cada resultado. A documentação específica do Google mantém essa distinção.

Também não devemos somar impressões dos dois relatórios como se fossem públicos independentes. A documentação informa que o painel generativo inclui dados do tipo Web do relatório de resultados de pesquisa.

São novos dados, não apenas uma divisão do histórico

Depois de consultar a equipe responsável, John Mueller esclareceu que os dados multimodais não estavam incluídos nas contagens anteriores.

Para quem acompanha metas de tráfego, esse detalhe muda a interpretação. Um aumento do volume reportado pode refletir a ampliação da cobertura do Search Console, sem representar um crescimento equivalente da audiência.

Eu registraria essa mudança nos relatórios antes de apresentar qualquer comparação. Também não atribuiria uma queda nas buscas por texto à suposta transferência de dados para o novo filtro: esse mecanismo não corresponde ao esclarecimento de Mueller.

O que ainda não conseguimos enxergar?

A documentação de dimensões informa que a aba de consultas não está disponível para o tráfego multimodal. A foto utilizada pelo usuário também não é exibida.

Podemos identificar a página encontrada, mas não reconstruir a intenção apenas com esse dado. Alguém que chega a uma página de luminária pode querer comprar, identificar o fabricante ou encontrar uma peça de reposição.

Há outro limite: o Search Console não registra pedidos e receita. Cruzar página, data e dispositivo com o Analytics ajuda a investigar o comportamento posterior, mas não identifica automaticamente quais vendas começaram em uma pesquisa multimodal.

Se a origem não estiver distinguida na mensuração, trate a relação como indício, não como atribuição comprovada. Essa disciplina faz parte de uma leitura consistente das métricas de GEO, assim como do SEO.

Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?

A orientação técnica continua concreta: imagens rastreáveis, boa definição, texto alternativo descritivo e coerência com a página. O guia de SEO para imagens do Google explica como conteúdo, legendas, alt text e visão computacional contribuem para a compreensão visual. Isso não autoriza atribuir a um único elemento o desempenho observado no Lens.

O GEO (Generative Engine Optimization) amplia esse trabalho para a recuperação e utilização do conteúdo nas respostas generativas. Uma imagem e sua página precisam oferecer informações coerentes sobre o produto, a marca ou o assunto. O novo filtro ajuda a investigar essa presença dentro do Google, sem substituir a análise das respostas de outras IAs.

Organic Visibility conecta esses pontos. Uma descoberta pode começar em uma rede social, continuar com uma captura de tela no Lens e terminar na loja. O relatório mostra parte desse percurso. Cabe à estratégia entender onde a empresa pode facilitar o próximo passo.

Como eu começaria a análise

Selecionaria Multimodal, verificaria o período disponível e identificaria as páginas com maior participação. Depois, compararia países e dispositivos e observaria se os cliques acompanham as impressões.

Só então revisaria imagens e páginas de destino. Comparar o CTR com as buscas por texto pode levantar perguntas úteis, mas não oferece um padrão universal: intenção, interface e composição dos resultados podem ser diferentes.

Minha hipótese é que esse recorte ajudará a justificar investimentos em conteúdo visual com mais precisão. A confirmação dependerá de séries consistentes, testes documentados e resultados comerciais, não da estreia de um filtro.

Conclusão

O ganho está em poder investigar uma pergunta concreta: quais páginas da empresa são encontradas quando o consumidor mostra o que procura, em vez de escrever?

A resposta pode mudar a prioridade de uma categoria, de um catálogo ou da produção de imagens. Mas exige entender o que o painel mede e onde a evidência termina.

Se o desafio é descobrir quais limitações técnicas e de conteúdo impedem esse acesso, conheça como a consultoria de SEO transforma o diagnóstico em prioridades de execução. Para ampliar a análise à forma como as IAs recuperam e utilizam as informações da marca, explore o trabalho da consultoria de GEO.

Essa conexão orienta nossa atuação como agência de SEO especializada em GEO: preparar a empresa para ser encontrada nas diferentes etapas da decisão e medir o que essa presença devolve ao negócio.

Referências e créditos

Sobre o autor

Felipe Bazon

Felipe Bazon

Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.

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