Tabela de conteúdo
- 1. Confiar na recomendação é diferente de delegar a compra
- 2. O que um presente de Natal tem em comum com um casamento
- 3. No segmento de casamentos, já observamos crescimento dos acessos vindos das IAs
- 4. A IA também aparece depois que o cliente escolheu a plataforma
- 5. A SSB6 mostra por que a jornada continua em outras fontes
- 6. A confiança precisa sobreviver à visita ao site
- 7. O que eu colocaria na agenda de marketing, produto e dados
- 8. A State of Search Brasil 7 vai atualizar essa conversa
- 9. Fontes e critérios de leitura
Pesquisa com 2 mil adultos indica abertura à IA na escolha de presentes. Analiso como essa confiança pode influenciar as marcas consideradas pelo consumidor antes da compra.
Escolher um presente exige conhecer os gostos de quem vai recebê-lo. Quando parte dos entrevistados acredita que uma IA faria isso melhor que seu parceiro ou parceira, vejo uma questão concreta para as marcas: quais informações estão ajudando esses sistemas a formar suas recomendações? Acompanho o comportamento de busca há sete anos e a visibilidade em IAs há três.
Minha leitura do estudo é que a disposição para pedir ajuda à IA pode influenciar a descoberta e a comparação de produtos antes de o consumidor decidir onde comprar. É essa relação entre confiança, recomendação e escolha que analiso a seguir, com apoio de pesquisas e dados que observamos nos projetos da Hedgehog Digital.
TL;DR
- Na pesquisa britânica, 22% acreditam que a IA escolheria melhor seu presente do que o parceiro. Essa percepção ajuda a discutir a influência das recomendações antes da compra.
- A disposição para receber recomendações e a confiança para delegar o pagamento são diferentes. O comportamento brasileiro acrescenta outra dimensão: a checagem das respostas em outras fontes.
- Em um grande player de casamentos atendido pela Hedgehog Digital, as sessões atribuídas a IAs passaram de 1.501 em março para 10.422 em agosto de 2026, alta de 594,3%. O histórico mostra um salto em maio e uma pequena queda em julho.
- As páginas de entrada incluem descoberta e utilização do serviço. Avaliar esse tráfego exige separar aquisição, relacionamento e participação de convidados.
- A State of Search Brasil 7 será o próximo ponto de referência para atualizar essa discussão com evidência local.
Neste artigo, você vai entender:
- O que a pesquisa da Forter permite concluir.
- Como a IA pode participar da definição dos critérios de escolha.
- O que os dados brasileiros acrescentam à análise.
- Como conectar visibilidade nas IAs, acessos e resultados de negócio.
Confiar na recomendação é diferente de delegar a compra
Em set. 16, 2026, o The Sun publicou uma reportagem sobre presentes de Natal e IA. O levantamento da OnePoll, encomendado pela Forter, ouviu 2 mil adultos do Reino Unido. Entre eles, 22% acreditavam que uma IA escolheria um presente melhor para si do que seu parceiro ou parceira.
A origem britânica do estudo também aproxima o tema da nossa trajetória: a Hedgehog Digital nasceu na Inglaterra. Minha análise parte dessa familiaridade com o mercado e dos dados que acompanhamos no Brasil, respeitando as diferenças entre os dois contextos.
Na publicação original da Forter, 53% já haviam usado ou estavam abertos a usar IA para encontrar presentes. O percentual reúne experiência e disposição; não mede adoção efetiva isoladamente.
A autonomia aceita varia conforme a tarefa: 42% deixariam a IA pesquisar presentes, 21% escolher e 12% comprar autonomamente.

A disposição para delegar tarefas à IA varia conforme a etapa: 42% aceitariam ajuda autônoma na pesquisa de presentes, 21% na escolha e 12% na compra. Os percentuais não representam um funil de conversão. Fonte: Forter/OnePoll, divulgação de set. 16, 2026. Elaboração: Hedgehog Digital.
São respostas declaradas. A divulgação não apresenta datas de campo, questionário completo ou ponderação. A Forter atua comercialmente em confiança e prevenção de fraude no comércio digital.
Minha leitura é que as marcas precisam acompanhar a delegação da pesquisa antes de esperar a delegação do pagamento. Quem organiza as opções pode influenciar quais alternativas chegam à decisão, mesmo quando a pessoa preserva o controle da compra. Essa distinção aprofunda a análise que desenvolvi sobre a presença da IA na jornada de compra e os limites da confiança do consumidor.
O que um presente de Natal tem em comum com um casamento
Presentear envolve orçamento, preferências e o receio de fazer uma escolha inadequada. Organizar um casamento também exige conciliar expectativas, custos e decisões pouco familiares. O componente afetivo convive com uma carga prática de pesquisa.
É nessa combinação que vejo uma oportunidade para a assistência por IA: ajudar a transformar uma necessidade aberta em critérios de escolha.
Considere dois exemplos hipotéticos. Uma pessoa pede sugestões de presentes para alguém que gosta de cozinhar, dentro de determinado orçamento. Um casal pergunta como comparar plataformas de lista de presentes, considerando taxas, prazos de recebimento e facilidade para os convidados.
Nos dois casos, a conversa pode começar antes de uma marca ser mencionada. A resposta ajuda a definir o que comparar e quais perguntas fazer. Para a empresa, estar presente nessa etapa significa participar da formação dos critérios, além de disputar uma busca pelo nome do produto ou serviço. É o mesmo problema estratégico que explorei ao analisar como a IA participa da descoberta de produtos e da formação do conjunto de consideração.
A comparação tem um limite: a pesquisa britânica trata de presentes de Natal. Ela não mede planejamento de casamentos. A relação entre os segmentos é uma hipótese de comportamento que podemos confrontar com dados operacionais brasileiros.
No segmento de casamentos, já observamos crescimento dos acessos vindos das IAs
Atendemos um dos grandes players do mercado brasileiro de casamentos. Preservando a identidade do cliente, os relatórios da Hedgehog Digital permitem compartilhar dois sinais dos últimos meses.

Em um grande player do segmento de casamentos atendido pela Hedgehog Digital, os acessos atribuídos a IAs cresceram 594,3% entre março e agosto de 2026, enquanto a presença em resultados monitorados de AI Overviews avançou 206,6% entre janeiro e agosto. O bloco de menções e citações apresenta um retrato separado de setembro, com base em 60 respostas. As métricas têm períodos e bases próprios e não comprovam, isoladamente, conversão ou causalidade. Fontes: relatórios internos da Hedgehog Digital e levantamento naia atualizado em set. 1, 2026 e exportado em set. 22, 2026. Elaboração: Hedgehog Digital. Identidade do cliente preservada.
Nota de leitura: os gráficos apresentam métricas distintas, com escalas e períodos próprios. O histórico de sessões começa em março porque os totais exatos de janeiro e fevereiro não foram recuperados dos relatórios; a ausência desses meses não significa zero.
As sessões passaram de 1.501 em março para 10.422 em agosto, crescimento de 594,3%. O principal salto ocorreu de abril para maio, de 2.170 para 7.420 sessões. Depois, a série apresentou aumento em junho, pequena retração em julho e novo avanço em agosto. No recorte mais recente, a alta foi de 30,7% entre junho e agosto. O histórico revela a trajetória com mais clareza do que uma comparação isolada entre dois meses.
No monitoramento de AI Overviews, a contagem passou de 333 em janeiro para 1.021 em agosto, alta de 206,6%. Houve uma queda em maio, seguida de recuperação e aceleração em julho e agosto. Esse indicador registra presença nos resultados acompanhados pela ferramenta, sujeito à sua cobertura. Não corresponde a impressões vistas por pessoas, participação de mercado ou acessos ao site.
Há também uma fotografia complementar do levantamento na naia, atualizado em set. 1, 2026 e exportado em set. 22, 2026. A marca ou uma URL oficial apareceu em 38 de 60 respostas elegíveis, equivalentes a 63,3%. Em 36 respostas, ou 60%, houve citação de uma URL oficial como fonte.
Esses grupos se sobrepõem. O levantamento mede a presença nos prompts analisados, não em todas as conversas dos consumidores. Por isso, mantenho essa fotografia separada da série mensal.
O conjunto documenta presença e acessos. Sem um experimento controlado ou uma análise de atribuição mais profunda, não permite isolar o efeito do nosso trabalho, demonstrar que as citações causaram as visitas ou converter o crescimento em uma afirmação sobre vendas.
A IA também aparece depois que o cliente escolheu a plataforma
Uma parte especialmente útil desses relatórios está nas páginas de destino. Os acessos atribuídos a IAs chegam a páginas de apresentação de serviços, mas também a áreas de login, confirmação de presença e gestão de presentes.
Isso sugere uma combinação de públicos e tarefas: pessoas avaliando a plataforma, clientes que já a utilizam e convidados que precisam concluir uma ação. As páginas de entrada oferecem indícios dessas intenções; não revelam, sozinhas, a conversa anterior com a IA.
Essa distinção muda a leitura executiva. Contabilizar todas as sessões como novos compradores superestimaria a aquisição. Ignorar os acessos de clientes e convidados também deixaria de fora uma função relevante da busca: facilitar o relacionamento com o serviço.
Para esse tipo de negócio, conteúdo de ajuda, instruções de uso e informações sobre pagamentos podem participar da experiência de descoberta tanto quanto uma página comercial. Marketing, produto e atendimento precisam olhar para esse percurso em conjunto.
A SSB6 mostra por que a jornada continua em outras fontes
A State of Search Brasil 6 reuniu 4.157 entrevistas online, realizadas pelo painel Opinion Box entre jun. 26, 2025 e jul. 14, 2025.
No levantamento, 81% declararam já ter usado ferramentas de busca com IA. Na pergunta sobre confiança, somente 7% responderam “sempre”; outros 35%, “frequentemente”. Portanto, os 93% restantes não podem ser tratados como pessoas que rejeitam as respostas.
Na base de 3.218 respondentes da pergunta sobre checagem, 80% disseram conferir os resultados. Entre os 2.527 participantes da pergunta seguinte, de múltipla escolha, 65% recorriam a outros buscadores, 27% ao YouTube e 20% às redes sociais.
Essa combinação é central para o meu entendimento de Organic Visibility. A recomendação pode começar em uma conversa e continuar em uma busca, um vídeo, uma avaliação ou no site da marca. A empresa precisa sustentar sua credibilidade ao longo desse percurso. Como detalho no artigo sobre a jornada de busca que conecta IA, SEO e mídia paga, a influência de um canal pode aparecer em uma visita atribuída a outro.
Não é possível usar essas pesquisas para comparar taxas de adoção entre Brasil e Reino Unido. As perguntas, as datas e as populações são diferentes. O cruzamento ajuda a formular hipóteses sobre a jornada, sem criar uma falsa equivalência estatística.
A confiança precisa sobreviver à visita ao site
A SSB6 traz outro dado útil: entre 1.353 respondentes, 68% apontaram a aparência duvidosa do site como motivo para desistir da compra, 52% citaram informações insuficientes sobre o produto e 44%, ausência de comentários de compradores. A pergunta aceitava múltiplas respostas e tratava de sites encontrados pelo Google.
Esses resultados não medem conversão de tráfego de IA. Minha hipótese é que oferecem uma boa orientação para avaliar a experiência de quem chega por uma recomendação: as dúvidas sobre a empresa, o produto e as condições de contratação continuam precisando de resposta.
No exemplo de casamentos, eu priorizaria clareza sobre taxas, prazos, funcionamento da lista, suporte e responsabilidades de cada participante. Essas informações ajudam a pessoa a decidir e dão aos sistemas fontes mais precisas para explicar o serviço.
É uma aplicação concreta de Generative Engine Optimization, ou GEO, apoiada nos fundamentos de SEO: conteúdo acessível, organização semântica, rastreamento, indexação e autoridade. A qualidade da informação precisa atender à recuperação pelas máquinas e à avaliação humana que vem depois.
O que eu colocaria na agenda de marketing, produto e dados
A primeira decisão seria ampliar o diagnóstico de demanda. Além das palavras-chave, eu mapearia as dúvidas que antecedem a escolha, os critérios de comparação e as tarefas realizadas depois da contratação. Isso orienta conteúdo e melhorias no próprio serviço.
A segunda seria separar a mensuração. O monitoramento de menções e citações da marca nas IAs ajuda a distinguir presença no texto e uso de uma URL como fonte. Esses sinais, as sessões e a receita respondem a perguntas diferentes. Uma marca pode aparecer sem receber um clique; um acesso pode atender um cliente existente; uma nova contratação pode ocorrer em outra visita.
No caso de uma plataforma de casamentos, eu acompanharia a origem identificável, a página de entrada, o tipo de usuário e os eventos relevantes para cada tarefa. Criar uma conta, ativar uma lista e confirmar presença não têm o mesmo significado comercial. Parte dos retornos por outros canais continuará exigindo análise adicional de atribuição.
A terceira decisão seria aproximar conteúdo, reputação e experiência. Uma recomendação perde valor quando a informação encontrada no site contradiz a resposta, omite custos ou dificulta a próxima ação. Esse é um problema que atravessa as responsabilidades de SEO, comunicação, produto e atendimento.
A State of Search Brasil 7 vai atualizar essa conversa
Com a coleta da State of Search Brasil 7 concluída, teremos uma nova referência para discutir o comportamento de busca no país. Até a divulgação, os resultados permanecem fora desta análise.
A expectativa que esses sinais criam é concreta: entender melhor como as pessoas distribuem tarefas entre IAs, buscadores, redes sociais e canais das marcas, e como constroem confiança antes de agir. São questões para orientar a leitura da próxima edição, sem pressupor suas conclusões.
Para mim, a disposição para confiar à IA uma escolha tão pessoal coloca uma prioridade na agenda das marcas: compreender quais informações sustentam sua presença nas recomendações e o que o consumidor encontra ao conferir essas sugestões. Esse trabalho conecta conteúdo, reputação e experiência, da primeira dúvida ao relacionamento depois da compra.
Essa visão orienta nosso posicionamento como agência de SEO especializada em GEO. A consultoria de GEO da Hedgehog Digital conecta o diagnóstico nas IAs à autoridade, ao conteúdo, à pegada digital e à mensuração de Organic Visibility. O objetivo é entender em quais decisões a marca participa e transformar esse conhecimento em prioridades de negócio.
Fontes e critérios de leitura
- Forter e OnePoll: divulgação original de set. 16, 2026, repercutida pelo The Sun na mesma data.
- State of Search Brasil 6: relatório integral, páginas 5, 10 e 44. As bases variam conforme a pergunta.
- Caso de casamentos: relatórios internos de janeiro a agosto de 2026 e levantamento na naia atualizado em set. 1, 2026, exportado em set. 22, 2026. Dados divulgados de forma anônima. Sessões são acessos atribuídos pelas ferramentas de mensuração, não pessoas únicas ou vendas. As estimativas de alcance e impressões da plataforma não foram utilizadas como audiência observada.
Sobre o autor
Felipe Bazon
Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.
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