Tabela de conteúdo
- 1. A jornada deixou de ser linear antes da IA generativa
- 2. Uma resposta de IA pode gerar uma nova busca
- 3. A IA influencia visitas que depois são atribuídas ao Google
- 4. SEO e mídia paga não participam de jornadas separadas
- 5. A State of Search Brasil já mostra esse comportamento
- 6. Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
- 7. A disputa não é entre os canais, mas pela continuidade da jornada
- 8. Referências
Dados da Similarweb, SparkToro e Seer mostram que a IA influencia a descoberta, a busca captura a demanda e os canais pagos e orgânicos se alternam até a decisão — um comportamento que a State of Search Brasil já identifica no país.
A primeira busca raramente encerra a jornada. Uma resposta gerada por IA pode apresentar as primeiras opções, um anúncio capturar a demanda criada, um resultado orgânico validar a decisão e uma nova consulta reiniciar todo o processo.
Essa dinâmica foi organizada em uma análise publicada em 12 de agosto pelo Search Engine Land. O artigo descreve um ciclo formado por quatro movimentos: a IA constrói uma lista inicial de possibilidades, a mídia paga captura a demanda filtrada, os resultados orgânicos reforçam a escolha e as consultas seguintes reabrem a jornada.
Não se trata de um novo recurso anunciado pelo Google nem de uma mudança criada agora pela Inteligência Artificial.
A jornada já não era linear. A IA apenas acelerou, comprimiu e tornou mais mensuráveis algumas das conexões entre descoberta, comparação, validação e decisão.
A jornada deixou de ser linear antes da IA generativa
Em 2018, nas apresentações que fiz no Digitalks Expo e no RD Summit, comecei a defender que a jornada do consumidor já não poderia ser representada por uma sequência previsível de topo, meio e fundo de funil.
Essa linha continuou sendo desenvolvida em eventos como o Digitalks Lisboa e, mais recentemente, nas palestras sobre GEO, Search Everywhere e Organic Visibility.
O consumidor já descobria uma marca em um canal, comparava alternativas em outro, pesquisava avaliações, retornava ao Google, conversava com outras pessoas e retomava a decisão posteriormente. A busca fazia parte de diferentes momentos, não apenas da etapa final de captura de demanda.
A IA generativa acrescentou uma nova camada de intermediação. Agora, ela consegue sintetizar informações, comparar opções e reduzir uma categoria inteira a poucas marcas antes mesmo de o usuário clicar em algum resultado.
Foi essa evolução que explorei nos artigos sobre o fim do funil de marketing e sobre a nova jornada de busca distribuída e menos linear.
O dado novo é que começamos a encontrar evidências mais claras de como uma etapa influencia a seguinte.
Uma resposta de IA pode gerar uma nova busca
Um estudo da SparkToro, baseado em dados de clickstream da Similarweb, identificou que 68,01% das buscas realizadas no Google nos Estados Unidos terminaram sem clique entre janeiro e abril de 2026.
O ponto mais relevante para a jornada, porém, não é apenas o zero-click.
A proporção de buscas que levaram a uma nova consulta no Google aumentou 7,2 pontos percentuais. Em vez de visitar um site, parte dos usuários reformula a pergunta, adiciona uma marca, procura uma comparação ou tenta eliminar uma objeção.
Isso ajuda a explicar o ciclo:
- A IA ou o AI Overview apresenta algumas marcas.
- O usuário pesquisa uma dessas marcas ou compara duas opções.
- Anúncios e resultados orgânicos disputam essa nova atenção.
- Avaliações, conteúdos e fontes independentes ajudam a validar a escolha.
- Uma dúvida adicional gera outra consulta e reinicia o processo.
Os dados são dos Estados Unidos e resultam de uma metodologia específica de clickstream. Portanto, não devem ser projetados automaticamente para todo o mercado brasileiro.
Ainda assim, são uma evidência relevante de que zero-click não significa necessariamente encerramento da jornada.
Em alguns casos, significa apenas que o próximo movimento acontecerá em outra consulta ou superfície.
A IA influencia visitas que depois são atribuídas ao Google
A Similarweb acompanhou milhares de jornadas reais em finanças, turismo e beleza. O estudo selecionou usuários que receberam uma recomendação de marca no ChatGPT, não haviam visitado anteriormente aquela empresa e não tinham mencionado a marca no prompt.
Os usuários expostos à recomendação ficaram 2,5 vezes mais propensos a visitar o site da empresa nos sete dias seguintes.
O dado que melhor representa o ciclo é a origem dessas visitas: aproximadamente 56% chegaram por meio da busca, principalmente por consultas de marca. A influência começou no ChatGPT, mas o acesso foi atribuído ao Google.
Isso cria uma lacuna importante na mensuração.
O relatório de aquisição mostra uma sessão orgânica ou paga. O Search Console registra uma busca de marca. O Google Ads pode receber o crédito pela conversão. Nenhuma dessas plataformas consegue mostrar que a preferência começou a ser formada em uma resposta anterior da IA.
Como venho dizendo nos webinars do Don’t Panic It’s Organic:
A IA pode não gerar o clique. Mas pode gerar a pesquisa pela sua marca — e essa pesquisa pode gerar a venda.
SEO e mídia paga não participam de jornadas separadas
A Seer Interactive analisou 53 marcas, 5,47 milhões de consultas e 2,43 bilhões de impressões orgânicas entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.
Na amostra:
- 95,4% das consultas comparativas acionaram um AI Overview;
- 85,9% das buscas em formato de pergunta também exibiram o recurso;
- quando a marca foi citada no AI Overview, recebeu 120% mais cliques orgânicos por impressão do que marcas presentes na mesma SERP, mas não citadas;
- o CTR pago nas consultas com AI Overview passou de 14,6% para 16,2% no período analisado.
Isso não comprova que a citação causou todo o crescimento. A própria Seer apresenta os resultados como direcionais e reconhece limitações na classificação retrospectiva das consultas.
Mas os dados enfraquecem a leitura de que IA, SEO e mídia paga competem por uma única conversão.
A citação pode ajudar a formar preferência. O anúncio pode capturar a procura posterior. O resultado orgânico pode fornecer a profundidade ou a confiança que faltava. O usuário pode ainda voltar ao YouTube, consultar avaliações ou realizar outra busca antes de decidir.
Cada canal cumpre uma função diferente dentro da mesma jornada.
A State of Search Brasil já mostra esse comportamento
A State of Search Brasil 6, realizada com 4.157 pessoas, mostra que essa não é apenas uma leitura importada do mercado norte-americano.
Embora 81% dos brasileiros afirmem já ter utilizado ferramentas de IA, 93% não confiam totalmente nas respostas e 80% dizem checar as informações em outras fontes.
Ao mesmo tempo, o Google continua liderando o comportamento de busca, enquanto Instagram, YouTube, marketplaces, sites das empresas e IAs participam de diferentes momentos da descoberta e da decisão.
O brasileiro utiliza a IA pela velocidade, mas recorre a outras superfícies para validar o que recebeu.
Essa dupla checagem é a manifestação prática do ciclo. O ChatGPT pode sugerir. O Google valida. O YouTube demonstra. Uma avaliação reduz o risco. O resultado orgânico aprofunda. A mídia paga reapresenta a oferta.
Não existe uma ordem universal.
Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
A principal consequência é que não podemos mais medir a jornada como se cada canal criasse e convertesse sua própria demanda de maneira independente.
SEO continua sendo a fundação para que conteúdos sejam rastreados, indexados, compreendidos e encontrados. GEO acrescenta o trabalho necessário para que marcas e informações sejam recuperadas, citadas e recomendadas pelas IAs.
Para aprofundar essa diferença e entender as camadas técnicas, semânticas e de autoridade envolvidas, vale consultar nosso guia sobre o que é Generative Engine Optimization (GEO).
Organic Visibility conecta essas disciplinas às demais superfícies onde a jornada continua: redes sociais, vídeos, comunidades, marketplaces, mídia editorial e busca paga.
Isso também muda a unidade de planejamento. Uma lista de palavras-chave isoladas não consegue representar uma sequência que pode incluir:
- uma pergunta ampla no ChatGPT;
- uma comparação no Google;
- uma busca de marca;
- um vídeo de demonstração;
- uma consulta sobre avaliações;
- um anúncio transacional;
- uma visita direta dias depois.
A estratégia precisa mapear caminhos de decisão, não somente keywords.
Ação imediata: selecionar as jornadas mais importantes do negócio e identificar quais perguntas, comparações, objeções e pesquisas de marca aparecem antes da conversão. Para cada etapa, registrar presença nas IAs, citações, posição orgânica, cobertura paga e fontes externas utilizadas pelo consumidor.
Próximo ciclo: integrar dados de AI Visibility, Search Console, Google Ads, GA4 e CRM. O objetivo não é inventar uma atribuição perfeita, mas encontrar relações entre menções nas IAs, crescimento de buscas de marca, acessos, engajamento e conversões.
Monitoramento: acompanhar a sequência:
visibilidade → buscas de marca → acessos → engajamento → conversões → receita
Uma correlação temporal não prova causalidade. Mas ignorar essas conexões e continuar entregando todo o crédito ao último clique também produz uma leitura incompleta.
A disputa não é entre os canais, mas pela continuidade da jornada
A IA não tornou a jornada não linear. Ela acelerou um comportamento que já vinha sendo construído por múltiplos canais, formatos e pontos de contato.
O que os novos estudos acrescentam é uma visão mais concreta de como a influência circula entre respostas generativas, anúncios, resultados orgânicos e novas consultas.
Essa é também a evolução que venho discutindo no Don’t Panic It’s Organic, desde SEO é sobre intenção até a masterclass sobre o Organic Visibility Framework.
A marca pode ser descoberta em uma resposta de IA, procurada no Google, validada organicamente e convertida pela mídia paga. Ou percorrer a mesma sequência em outra ordem.
Por isso, a grande pergunta já não é qual canal merece o crédito isolado. É se a marca consegue manter presença, autoridade e coerência enquanto o consumidor avança, recua e reinicia sua decisão.
É essa visão que orienta o trabalho da Hedgehog Digital Brasil como agência de SEO especializada em GEO: conectar os fundamentos do SEO às novas camadas de recuperação, citação e recomendação das IAs, sem perder de vista a jornada completa e o impacto para o negócio.
Porque aparecer em um ponto isolado já não basta. A marca precisa continuar presente até o momento em que a influência se transforma em escolha, conversão e receita.
Referências
- The new search journey changes how SEO and PPC should work — Search Engine Land
- Less than one third of Google searches still send a click — SparkToro
- The downstream impact of AI Visibility — Similarweb
- AIO Impact on Google CTR: 2026 Update — Seer Interactive
- State of Search Brasil 6 — Hedgehog Digital
Sobre o autor
Felipe Bazon
Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.
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Felipe Bazon