O marketing entrou de vez na era dos loops, micro-decisões e múltiplos pontos de contato, um cenário que já vinha sendo anunciado anos atrás e que hoje se torna impossível ignorar no SEO.
Há alguns anos, eu venho dizendo que o funil de marketing, da forma como aprendemos e reproduzimos por décadas, estava com os dias contados.
Em 2018, subi aos palcos do Digitalks Expo, do RD Summit e do Digitalks Lisboa para defender uma ideia que, na época, soava quase como heresia: a jornada do consumidor havia deixado de ser linear, previsível e sequencial.
O funil estava sendo substituído por uma sucessão caótica de micro-momentos, pontos de contato e decisões fragmentadas, mediadas por conteúdo.
Não foi uma mensagem confortável. No Digitalks Expo e no RD Summit, aquelas palestras foram, sem exagero, algumas das mais criticadas da minha carreira. O discurso parecia “adiantado demais”, teórico demais, distante da realidade operacional de marketing daquele momento.
O tempo mostrou o contrário. O que era visto como exagero ou visão futurista, hoje é simplesmente a realidade.
O funil não encolheu — ele colapsou.
O Fim do Funil do Marketing
O que temos hoje não é um meio de funil mais complexo, mas uma jornada completamente não linear, distribuída em múltiplos ambientes, formatos, canais e, agora, mediada de forma decisiva pela Inteligência Artificial.
A IA não surgiu como mais um canal. Ela reprogramou o comportamento de busca, a forma como as pessoas descobrem, avaliam, comparam e tomam decisões.
Saímos da era do Messy Middle para um cenário ainda mais fragmentado, acelerado e caótico.

Imagem descrevendo a jornada com vários momentos e pontos de contato, também conhecida como Messy Middle. Fonte: Think With Google
Um ambiente onde a busca acontece em loops, impulsionada por micro-momentos e intenções que surgem, desaparecem e se transformam em tempo real.
É nesse contexto que o Google apresentou cinco novos comportamentos de busca potencializados pela IA.
O Google publicou um conteúdo que mostra 5 comportamentos de busca potencializados pela IA e que mudaram a forma como os usuários buscam. Quero falar sobre eles adicionando o meu ponto de vista e mostrando qual é o impacto disso em nossas estratégias de SEO.
Neste artigo, vamos explorar cada um desses comportamentos à luz da prática real de SEO, adicionando meu ponto de vista e, principalmente, conectando esses sinais ao impacto direto nas estratégias de otimização.
Porque insistir na lógica do funil de conversão hoje é otimizar para um mundo que simplesmente não existe mais.
Micro-moments: o conceito antigo que ficou mais atual
Em 2015, o Google publicou um artigo que, traduzido, chama-se “Como os micro-momentos estão mudando as regras”. Hoje isso continua valendo, mas com todo o contexto da IA adicionado a este bolo.
Podemos definir os micro-moments como momentos ricos em intenção ao longo da jornada. Isso poderia fazer sentido originalmente em 2015, mas considerando nosso atual cenário, existem intenções ao longo de toda a jornada, com momentos muito mais ricos do que antigamente.
Antes, a ação se resumia em buscar. Hoje, passa por buscar, conversar, sintetizar e executar (e provavelmente de forma muito mais acelerada e, de certo modo, caótica quando comparada ao que acontecia antigamente).
No fim das contas, os micro-momentos viraram micro-decisões assistidas por Inteligência Artificial.
O Brasil já está vivendo essa mudança
Antecipar tendências é estar de olho nos comportamentos dos usuários e prever o que pode decorrer disso.
Na State of Search Brasil 6, feita com base em 4.157 entrevistas, verificamos alguns comportamentos interessantes:
- O Google ainda lidera nas buscas, com 84% no Desktop e 81% no Mobile;
- O ChatGPT já aparece como destaque em uso, sendo a 4ª ferramenta mais usada em buscas por voz;
- 8 em cada 10 brasileiros dizem já ter usado alguma IA, sendo que 48% intensificaram o contato em 12 meses;
- 93% não confiam totalmente nas respostas da IA, com 80% checando em outras fontes.
Muito mais do que dados soltos, isso casa perfeitamente com o que vimos no Google Top Search Trends 2025: conversas longas, Visual Search e Search Everywhere, pesquisando e validando informações em diferentes canais.
Hoje, então, temos uma jornada híbrida: IA para rapidez e conveniência + buscadores / YouTube para confiança.
Os 5 novos comportamentos de busca com IA
Aproveitando o gancho do que foi trazido pelo Google e complementando com outros pontos que acredito, temos os 5 seguintes momentos, acompanhados de sugestões para otimizar suas estratégias de SEO e GEO:
#1 – “Eu quero um desses!” (descoberta visual / alta intenção instantânea)
Inspirações estão se tornando buscas imediatas via imagem. É como se o mundo fosse um grande showroom e o smartphone fosse um catálogo, especialmente por meio de recursos como Google Lens e Circule para Pesquisar.
Como exemplo, imagine que alguém viu um tênis no pé de outra pessoa no trem e gostou muito. Então, tira uma foto e quer saber “onde compra” + “mais barato” + “chega amanhã”:
Para otimizar suas estratégias, faça o seguinte:
- Imagem como ativo de busca: tenha fotos originais, com contexto de uso (e não só imagens padrão), nomes de arquivos e páginas indexáveis por categoria.
- Dados estruturados: Producft, Offer, AggregateRating, LocalBusiness quando aplicável etc.
- Feeds e consistência nas publicações: como a intenção nasce pronta para comprar, seja consistente em preço, estoque e variações.
- Informações “prontas para citar”: garanta especificações claras, comparativos e FAQs de produto.
#2 – “Me ajuda a encontrar exatamente o que eu preciso” (conversacional + contexto)
Aqui, temos consultas muito mais longas, específicas e repletas de contexto. A IA entende tudo isso e sintetiza opções que podem estar de acordo com a intenção de busca do usuário.
São aquelas buscas do tipo “me indique um hotel em Canela com lareira, bom pra criança, perto do centro, com café incluso e diária de até R$ 500”. Super específicas e cheias de nuance.
Para as otimizações, vale investir no seguinte:
- Mudança de estrutura de página: mais complexo, é verdade, mas vale testar mudar de “páginas por palavra-chave” para “páginas por cenário”, como casos de uso, comparativos e guias por perfil.
- Construção de E-T-I: já falei sobre esta trinca e ela volta aqui mais uma vez. Você precisa construir Entity Optimisation, Topical Authority e Information Gain por meio de clusters de informação, consistência de entidades e linkagens lógicas entre as páginas.
- Conteúdo estruturado: subtítulos claros, tabelas comparativas, respostas direto ao ponto e FAQs continuam sendo muito bem-vindos na nova era das IAs.
#3 – “Agora eu quero aprender de verdade” (clique mais qualificado)
A IA é ótima em resumir informações para responder a perguntas com agilidade. Porém, ainda há aqueles usuários que querem aprender sobre algo no detalhe.
Para estes, os AI Overviews ou as respostas do ChatGPT, por exemplo, podem ser rasos.
Quando o usuário clica, então, é porque ele quer aprofundar em algo. Isso o coloca como um lead muito mais qualificado.
Um usuário que já entendeu o básico sobre consórcios, mas quer uma simulação e uma comparação com os financiamentos imobiliários, por exemplo, é alguém que está neste micro-momento.
Para otimizar para este grupo de usuários, faça o seguinte:
- Crie conteúdos “pós-síntese”: simuladores, frameworks, checklists, planilhas, comparações detalhadas e tudo que possa vir “além do resumo”.
- UX e velocidade: uma boa User Experience somada a uma boa velocidade do site ajuda a reduzir a fricção por parte do usuário e entrega a ele uma experiência, mais agradável e próxima possível do que ele encontra nas IAs, que naturalmente entregam tudo isso.
- Atualizações frequentes e aprofundamento: conteúdo original e útil tende a ser mais referenciável que o “mais do mesmo”. Seu Information Gain Score agradece.
#4 – “Preciso ter certeza antes de comprar” (validação e confiança)
É fato que a jornada de compra é bagunçada e não-linear, mas a confiança ainda tem um fluxo claro.
A validação das informações costuma acontecer por meio de pesquisas do YouTube.
Os mais receosos ainda têm o interesse de checar fontes para confirmar se o que está sendo dito realmente é verdade ou não, de modo que a compra seja feita com o máximo de assertividade.
Se um usuário vê um suplemento no TikTok, por exemplo, pode perguntar para a IA se ele é seguro ou não, abrir o YouTube e o Instagram para ver reviews e depoimentos e conferir o Reclame Aqui para conhecer a confiabilidade da empresa. Quanto mais validações, melhor.
Otimize para o seguinte para melhorar este fluxo:
- Conteúdo de prova: páginas de depoimentos, comparativos honestos, políticas claras e páginas de “por que confiar”, com estudos e autores identificados sempre que possível.
- Presença em fontes citáveis: portais, blogs de nicho e reviews são meios interessantes de estar onde as IAs embasam suas respostas. Aqui, o Digital PR tem muita força.
- Implementação de FAQ e Q&A: perguntas reais de objeção acompanhadas de suas respostas ajudam a capturar a intenção de validação.
- UGC (User Generated Content): o subvalorizado conteúdo gerado pelo usuário faz uma diferença enorme para fins de validação e decisão de compra. Esse tipo de conteúdo, muitas vezes subestimado, tem uma influência muito grande nas respostas das IAs, assim como sempre teve nas SERPs tradicionais.
#5 – “Faz X para mim” (agentic: da busca para a execução)
Por último, mas não menos importante, temos um passo além na profundidade de confiança e delegação de atividades para a IA: o modo agente.
Ao invés de mandar apenas queries, os usuários dão comandos. A IA pode realizar reservas de hospedagem, checar o estoque de itens em e-commerces e enviar alertas de preço de itens que estão sendo observados, entre várias outras tarefas.
O usuário pode, por exemplo, pedir para marcar um horário na barbearia hoje, às 19h30, perto da Paulista, com avaliação acima de 4,5 e que aceite cartão de crédito.
Isso era inimaginável há pouco tempo (pelo menos de maneira simples e sem conhecimento em programação), mas tornou-se acessível nos dias de hoje.
Os seguintes pontos podem te ajudar a ser citado, referenciado e escolhido:
- Estruturar dados para ações: preço, horários, disponibilidade e informações de contato são importantes para que você não seja “pulado” pela IA por não entregar as informações necessárias.
- Transforme seu site em uma base de conhecimento acionável: as informações devem ser completas, consistentes e fáceis de consumir.
Não estamos mais em um mundo de intenção de buscas, mas sim de respostas
A dinâmica do comportamento de buscas não é mais a mesma. O usuário não quer mais ter que abrir várias páginas até encontrar o que quer, mas sim que isso seja compilado e entregue a ele de bandeja, com muito mais praticidade.
Claro que ainda existem aqueles que gostam de navegar e pesquisar a fundo, mas via de regra, agilidade é o nome do jogo.
Muitos ainda não entenderam e não se adaptaram a esta dinâmica; então, se você começar a implementar, já estará alguns passos à frente.
Se quiser o apoio de uma agência de SEO com ATTITUDE e excelência, conte com a Hedgehog.
Vamos juntos desbravar os novos comportamentos de busca e escrever a nova fase da história da sua empresa (e melhor ainda, otimizar para permitir que as IAs façam isso).


