Na web agentic, não basta saber que um bot ou agente acessou um sistema. É necessário que haja uma trilha auditável dessa identidade, de suas interações e ações realizadas, garantindo rastreabilidade, segurança e confiança em ambientes cada vez mais automatizados.
A próxima discussão da internet não é só sobre acesso: é sobre identidade. Se hoje já não é mais suficiente saber que um bot ou agente acessou um sistema, imagine em um futuro não tão distante, com agentes de IA capazes de acessar, interagir e até comprar por conta própria.
Passa a ser importante saber quem é este agente, se ele está vinculado a um domínio legítimo e se é possível auditar sua identidade. A validação de quem está do outro lado é fundamental para evitar riscos.
Em meio a este cenário, uma sigla começa a ganhar força: ANS (Agent Name Service), um padrão aberto que deve mudar a forma como interagimos com agentes de IA.
O que é ANS (Agent Name Service)?
ANS é um padrão aberto em evolução para dar identidade verificável a agentes de IA, desenhado pela GoDaddy. Ele utiliza domínio, certificados e registros auditáveis para permitir descoberta, validação e confiança entre agentes.
O ANS ancora a identidade do agente em um FQDN (Fully Qualified Domain Name) e usa uma Registration Authority para validar o controle do domínio via ACME (Automatic Certificate Management Environment).
O Agent Name Service trabalha com certificado de servidor e certificado de identidade e registra eventos em um transparency log append-only, que pode ser consultado depois para ter informações fidedignas sobre os agentes que visitaram aquela página.
No GitHub, duas páginas trazem mais detalhes sobre o registro de ANS e o design e a arquitetura do ANS. Esta última página, inclusive, traz uma frase que ajuda a explicar bem o que é ANS: “uma camada de confiança para a web agentic”.
Vale ressaltar que o draft original de ANS de 2025 expirou e foi substituído pelo draft ANS v2, atualizado em abril de 2026. Como tudo que envolve IA, a evolução é muito rápida e novas atualizações podem vir com o passar do tempo.
Qual problema o ANS resolve?
O problema de identidade na web agentic. Afinal, dados de TLS/SSL e nome de domínio, sozinhos, não são suficientes para ter confiança e maior rastreabilidade entre agentes.
Vamos tomar como exemplo uma transação entre agentes, que inclusive aparece na documentação oficial.
Imagine que um agente de pagamentos precisa saber se o agente de faturamento realmente pertence ao fornecedor e se existe histórico confiável dessa identidade.
A arquitetura oficial do ANS foi desenhada justamente para reduzir esse gap de confiança. Com o ANS, a conversa deixa de depender de apenas um user-agent, um IP ou uma identificação, elementos que são mais facilmente falsificáveis.
A proposta, então, passa a ser uma identidade ancorada em domínio, com versão registrada e eventos selados em um log auditável, realmente trazendo uma camada de confiança extra a essa forma de relacionamento.
É importante esclarecer que este padrão está em desenvolvimento contínuo, o que significa que não podemos dizer que ele elimine as fraudes por completo. Porém, a documentação aponta para um cenário muito mais seguro e auditável do que havia até então.
Inclusive, a GoDaddy firmou uma parceria estratégica com a Cloudflare para viabilizar uma web agentic com padrões abertos, trazendo mais transparência e confiança para esta nova era.
Como o ANS funciona na prática?
O processo técnico é explicado com riqueza de detalhes na página “Agent Name Service v2 (ANS): A Domain-Anchored Trust Layer for Autonomous AI Agent Identity”, do IETF Datatracker, mas em suma, funciona assim:
- O domínio vira a âncora da identidade. Todo agente parte de um FQDN. O domínio é a base estável, permanecendo mesmo que a versão mude.
- A Registration Authority valida o controle do domínio. A validação se dá via ACME antes da identidade ser atestada, procedimento que é central neste modelo.
- O modelo usa dois certificados. Um deles é um Server Certificate de CA pública, enquanto o outro é um Server Certificate de CA privada, associado ao ANSName / versionamento.
- Os eventos vão para um transparency log. Registro, mudança de versão e outros eventos ficam salvos em um log append-only (que só permite adições, bloqueando qualquer modificação ou exclusão), garantindo verificabilidade e uma trilha auditável dos agentes que passaram por ali.
- O DNS ajuda na descoberta. O draft v2 prevê registros como _ans.{host} para indicar o protocolo e a localização da metadata, além de outros registros auxiliares.
O que o ANS não é?
A chegada da v2 do ANS é muito promissora, mas é importante explicar também o que ele não é para entender os limites de atuação:
- Substituto de robots.txt. Ambos operam em conjunto, em camadas diferentes. Enquanto o robots.txt expressa preferências de acesso e rastreamento, o ANS trata de identidade, descoberta e confiança do agente.
- Ferramenta de bloqueio. Se a discussão for bloquear ou permitir crawlers, entram mecanismos como AI Crawl Control. Sobre isso, inclusive, essa documentação da Cloudflare fala explicitamente sobre monitorar e controlar como serviços de IA acessam conteúdos.
Qual é a diferença entre ANS, robots.txt, AI Crawl Control e Web Bot Auth?
Em certa medida, esses elementos se conectam, mas cada um de uma maneira diferente. Eles não são sinônimos, mas sim aliados.
- ANS tem a ver com identidade. Sua ação se dá na camada de naming, descoberta e verificação do agente.
- robots.txt está relacionado à preferência de acesso. É uma instrução declarativa sobre o que pode ou não ser rastreado, sem “enforcement” técnico.
- AI Crawl Control está ligado à gestão e enforcement. A ferramenta monitora e controla o acesso de serviços de IA ao conteúdo.
- Web Bot Auth trata da autenticação da requisição. O método usa assinaturas criptográficas em mensagens HTTP para verificar que a requisição veio de um bot / agente automatizado.
A web está entrando em uma fase mais agentic e precisamos nos preparar
O anúncio da Cloudflare e da GoDaddy traz um enquadramento oficial muito claro: transparência, controle e melhor identificação de agentes de IA para esta nova era da IA e da open agentic web.
Conforme agentes passam a buscar, resumir, negociar e executar ações, a identidade verificável deixa de ser um detalhe técnico e passa a se conectar com a infraestrutura.
Todas as fontes oficiais sinalizam este caminho, que não mostra que o futuro já substituiu tudo que conhecemos, mas sim que um movimento interessante está ganhando tração muito rapidamente.
A ANS não nasceu para substituir o robots.txt, mas sim para suprir a lacuna de identidade verificável para agentes, distinção que torna-se mais importante conforme a internet fica cada vez mais mediada por agentes de IA.
Para quem trabalha com SEO, conteúdo e governança digital, entender cedo sobre ANS pode ajudar a interpretar melhor todos esses movimentos.
Fique ligado na Hedgehog Digital, a agência de SEO que está conectada com os últimos movimentos do mercado, para entender os próximos desdobramentos de ANS (Agent Name Service) e outras novidades que prometem mudar a forma como nos relacionamos com a web.


