Tabela de conteúdo
- 1. TL;DR
- 2. Neste artigo, você vai entender:
- 3. O que o Google está testando no Discover?
- 4. Uma nova etapa antes do publisher
- 5. O Discover pode entregar ainda menos tráfego?
- 6. O outro lado: novas fontes também podem ganhar visibilidade
- 7. AI Overviews, AI Mode e Discover seguem a mesma direção
- 8. A discussão sobre remuneração fica mais relevante
- 9. Bloquear os bots resolveria o problema?
- 10. O relatório do Search Console ainda deixa o clique invisível
- 11. Fatos, interpretação, inferência e hipótese
- 12. Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
O recurso começa por vídeos e abre uma visão geral com reportagens, reações e conteúdo original antes da visita às fontes. Ainda não há dados de CTR, mas o desenho pode aprofundar a perda de tráfego dos publishers.
O Google Discover continua sendo uma das poucas fontes capazes de levar grandes volumes de acesso orgânico a publishers sem depender de uma busca explícita. Um novo teste começa a colocar mais uma etapa entre essa recomendação e a visita ao conteúdo original.
Com o botão “Dive deeper”, o usuário pode abrir uma síntese gerada por IA, consultar outras reportagens, acompanhar reações da comunidade e explorar subtópicos antes de chegar ao site que produziu a informação.
O publisher continua participando da experiência, mas o clique deixa de ser o próximo passo natural. O Google usa vídeos, reportagens e sinais produzidos por terceiros para enriquecer o Discover e manter a exploração dentro de sua própria plataforma.
Ainda não há dados suficientes para afirmar quanto tráfego será perdido ou redistribuído. O desenho, porém, repete uma direção já visível nas AI Overviews e no AI Mode: a plataforma entrega mais contexto antes da visita à fonte.
TL;DR
- O Google está testando o botão “Dive deeper” no Discover, inicialmente em cards de vídeo.
- A experiência abre uma síntese gerada por IA com reportagens relacionadas, reações e conteúdo original.
- O usuário pode obter mais contexto dentro do Google antes de visitar um publisher.
- O recurso pode aprofundar a dinâmica de zero-click em uma das poucas fontes ainda relevantes de tráfego orgânico para portais.
- O mesmo desenho também pode dar visibilidade a fontes que não apareciam no card inicial.
- Ainda não existem dados públicos de CTR, sessões ou impacto sobre receita.
- O relatório de IA generativa do Search Console não permite isolar o “Dive deeper” nem medir seus cliques.
- A discussão envolve SEO para portais, GEO, remuneração de conteúdo, controle de bots e construção de audiência própria.
Neste artigo, você vai entender:
- como funciona o teste “Dive deeper” no Google Discover;
- por que ele cria uma nova etapa antes do acesso aos publishers;
- como o recurso pode afetar tráfego e monetização;
- qual é a relação com AI Overviews, AI Mode e zero-click;
- por que remuneração e política de acesso aos bots entram na mesma discussão;
- o impacto para SEO, GEO e Organic Visibility.
O que o Google está testando no Discover?
Robby Stein, vice-presidente de Produto do Google Search, apresentou o experimento no X. Segundo ele, o objetivo é facilitar a exploração de um tema e a descoberta de conteúdos relacionados na web.
O teste começa por vídeos. Ao tocar em “Dive deeper”, o usuário encontra uma visão geral curta, acompanhada por links para reportagens, reações da comunidade e conteúdo original. O Google informou que pretende testar diferentes designs.
As coberturas do Search Engine Journal e do Search Engine Roundtable registraram o experimento, mas o Google não divulgou países, idiomas, volume de usuários ou cronograma de expansão.
No exemplo divulgado, um vídeo da emissora KCRA 3 sobre uma onda de calor no norte da Califórnia serve como ponto de partida. A primeira tela apresenta o vídeo e uma síntese; a experiência expandida reúne uma visão geral, cards de fontes, reportagens relacionadas e subtópicos.

Exemplo divulgado pelo Google mostra o card de vídeo no Discover, a síntese gerada por IA e a página de aprofundamento com fontes e reportagens relacionadas.
Crédito: Reprodução/X, Robby Stein, vice-presidente de Produto do Google Search.
Uma nova etapa antes do publisher
A diferença parece pequena na interface, mas muda a jornada. No card tradicional, a recomendação tende a levar o usuário diretamente ao conteúdo. Com o “Dive deeper”, o Google passa a oferecer uma camada de interpretação entre a descoberta do tema e a visita à fonte.
| Experiência | Jornada principal |
|---|---|
| Card tradicional | Discover → reportagem ou vídeo |
| Teste “Dive deeper” | Discover → síntese de IA → fontes → reportagem ou vídeo |
O “Dive deeper” ainda é um teste e pode mudar. Mesmo assim, a lógica já está clara: o Google passa a resumir o assunto, escolher os ângulos e organizar as fontes antes que o publisher tenha a oportunidade de receber a visita.
O Discover pode entregar ainda menos tráfego?
Essa é a pergunta mais importante para os publishers. O Discover continua sendo uma fonte relevante de alcance orgânico, especialmente para portais que perderam espaço em outras superfícies ou enfrentam o avanço das respostas sem clique.
Uma etapa adicional pode reduzir o acesso quando a síntese satisfaz a curiosidade do usuário. É a dinâmica discutida no Zero Click Marketing, agora aplicada a um ambiente de recomendação, e não apenas a uma página de resultados.
O Google usa o conteúdo de publishers para tornar sua experiência mais completa. Se o contexto, os principais fatos e as fontes relacionadas forem consumidos dentro da plataforma, o veículo poderá contribuir mais para a resposta e receber menos audiência em troca.
Isso não significa que toda impressão gerada pelo “Dive deeper” substituirá um clique. Também não há base para projetar uma perda percentual. A preocupação nasce do desenho do produto e do histórico recente das interfaces generativas, não de um resultado medido.
O outro lado: novas fontes também podem ganhar visibilidade
A experiência expandida não mostra apenas o conteúdo que iniciou o card. Ela pode apresentar reportagens relacionadas, fontes adicionais, reações e subtópicos.
Esse espaço pode distribuir visibilidade para publishers que não apareciam na recomendação inicial. Uma reportagem original, um vídeo complementar ou uma análise especializada podem ser recuperados para sustentar partes diferentes da síntese.
Por isso, a leitura não deve ser simplesmente “mais IA significa menos tráfego”. O recurso pode reduzir cliques em determinados casos e ampliar a descoberta de outras fontes em outros. O resultado dependerá do destaque visual, da posição dos links, da intenção despertada pela síntese e da força editorial de cada conteúdo.
O ponto central é que o Google passa a controlar mais uma etapa da distribuição. Mesmo quando novas fontes ganham exposição, a plataforma decide como o assunto será apresentado e quando o usuário terá motivos para sair dela.
AI Overviews, AI Mode e Discover seguem a mesma direção
O “Dive deeper” se aproxima da lógica que já aparece nas AI Overviews e no AI Mode. O Google recupera diferentes fontes, sintetiza o tema e oferece uma resposta antes do acesso às páginas.
A diferença está no ponto de partida. Nas AI Overviews e no AI Mode, a pessoa formula uma consulta. No Discover, a plataforma antecipa o interesse, recomenda um tema e passa a oferecer o aprofundamento sem exigir uma busca.
Isso aproxima recomendação e resposta generativa. Para publishers, a disputa deixa de ocorrer apenas pelo card ou pela posição na busca. Também envolve a seleção como fonte, a qualidade da atribuição e a capacidade de despertar uma próxima ação.
É exatamente por isso que Generative Engine Optimization não pode ser reduzida à tentativa de conquistar uma citação. Ser encontrado, ser utilizado como evidência, receber crédito e conquistar o clique são resultados diferentes.
A discussão sobre remuneração fica mais relevante
Se plataformas usam reportagens para produzir experiências que mantêm o usuário dentro de seus ambientes, a discussão sobre remuneração do conteúdo utilizado em respostas de IA ganha uma nova camada.
Uma eventual compensação pode reconhecer parte do valor fornecido pelo publisher. Ainda assim, ela não devolve automaticamente publicidade, assinatura, cadastro, recorrência ou relacionamento direto com o leitor.
O valor de uma visita não termina no pageview. Dentro do portal, o leitor pode encontrar outras reportagens, conhecer a proposta editorial, assinar uma newsletter ou transformar aquele primeiro contato em hábito.
Uma citação no Discover preserva visibilidade. Ela não reproduz todas as oportunidades comerciais e editoriais de uma visita. Por isso, remuneração, distribuição e audiência própria precisam ser analisadas em conjunto.
Bloquear os bots resolveria o problema?
A resposta não é automática. Como discutimos ao analisar os controles de IA da Cloudflare, treinamento, rastreamento para busca, grounding e participação em respostas generativas são usos diferentes.
Uma política genérica de bloqueio pode proteger determinado uso e, ao mesmo tempo, limitar descoberta, atualização ou distribuição. Também pode não produzir o efeito esperado quando diferentes plataformas utilizam mecanismos e identificadores próprios.
Minha leitura continua sendo que grandes portais devem tomar essa decisão de acordo com o modelo de negócio. Um veículo dependente de publicidade pode atribuir um valor muito alto à visita. Outro pode priorizar assinatura, licenciamento, marca ou relacionamento recorrente.
No geral, eu evitaria bloquear todos os bots. Fazer parte do corpus e dos mecanismos de recuperação pode aumentar as oportunidades de uma marca ser compreendida como entidade confiável e autoritária, contribuindo para mais menções, referências e citações.
Essa é uma hipótese estratégica, não uma garantia. A liberdade de acesso precisa ser comparada com o valor econômico do conteúdo, o cumprimento das preferências técnicas e a capacidade de medir o retorno em cada plataforma.
O relatório do Search Console ainda deixa o clique invisível
O Search Console possui um relatório de desempenho para recursos de IA generativa no Discover. Ele mostra impressões e permite segmentar os dados por página, país e data.
O painel não apresenta cliques, CTR, interesses que originaram a recomendação, posição individual da fonte ou o formato responsável pela impressão. Também não permite separar o “Dive deeper” de outras experiências generativas.
O relatório de IA generativa do Search Console oferece uma camada oficial importante, mas não responde quanto tráfego cada experiência gerou ou deixou de gerar.
Para avaliar o impacto real, publishers precisarão relacionar impressões, sessões, recorrência, fontes apresentadas, visibilidade da marca e resultados comerciais. Uma impressão confirma participação na experiência. Não confirma atenção, reconhecimento ou visita.
Fatos, interpretação, inferência e hipótese
Fatos: o Google confirmou o teste do botão “Dive deeper” no Discover. A experiência começa por vídeos, apresenta uma síntese de IA e inclui links para reportagens, reações e conteúdo original. O Google não divulgou países, alcance ou dados de tráfego.
Interpretação: o Discover está se aproximando de uma experiência de exploração generativa, na qual o Google organiza o tema antes que o usuário visite as fontes.
Inferência: ao acrescentar uma resposta antes do acesso, o produto pode reduzir a necessidade de visitar determinados conteúdos e aumentar o poder do Google sobre a distribuição da atenção.
Hipótese: o recurso pode aprofundar a queda de tráfego em conteúdos que resolvem curiosidades simples, enquanto abre novas oportunidades para reportagens originais e fontes capazes de sustentar subtópicos. Ainda não há dados que confirmem qualquer um desses efeitos.
Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
Para SEO, rastreamento, indexação, qualidade editorial e elegibilidade para o Discover continuam sendo a base. A documentação oficial do Google recomenda títulos representativos, imagens relevantes, boa experiência de página e informações originais ou úteis.
No trabalho de SEO para portais de notícias, esses fundamentos precisam ser conectados à News Topical Authority. Um publisher deve produzir cobertura consistente, informação primária e sinais claros de especialização para continuar sendo reconhecido como fonte.
Uma consultoria de SEO ajuda a preservar essa base técnica e editorial, especialmente quando mudanças na interface tornam mais difícil separar perda de visibilidade, perda de posição e perda de clique.
Para GEO, o “Dive deeper” mostra que participar da resposta não é o mesmo que receber audiência. A página pode ser recuperada, citada e corretamente atribuída sem gerar uma visita proporcional.
Uma consultoria de GEO precisa analisar as perguntas e temas que acionam recuperação, as fontes selecionadas, a forma como a marca é descrita, o destaque dos links e o efeito dessa presença sobre demanda, tráfego e conversão.
Organic Visibility amplia a leitura para todas as superfícies em que a descoberta acontece. Google News, Discover, Busca, YouTube, AI Overviews, AI Mode, newsletters, aplicativos e acesso direto participam da mesma jornada.
Recursos como as Fontes Preferidas do Google podem ajudar o publisher a fortalecer uma preferência explícita, mas não substituem a construção de audiência própria.
Para marcas que precisam conectar essas frentes, vale entender como uma agência de SEO especializada em GEO trabalha a relação entre infraestrutura, autoridade editorial, visibilidade nas IAs e resultado de negócio.
Conclusão
O “Dive deeper” ainda é um teste. Não existem dados públicos que demonstrem perda de CTR, sessões ou receita.
Mesmo assim, a experiência revela uma mudança importante: o Google Discover pode deixar de ser apenas uma superfície que recomenda conteúdo para se tornar uma interface que explica o tema antes da visita ao publisher.
Para o usuário, isso pode facilitar a compreensão e ampliar o acesso a diferentes fontes. Para o Google, aumenta o valor entregue dentro da plataforma. Para os veículos, cria o risco de contribuir ainda mais para a experiência e receber ainda menos tráfego.
A resposta não está em bloquear indiscriminadamente, nem em tratar qualquer citação como sucesso. Publishers precisam compreender quanto valor entregam, qual retorno recebem e como transformar visibilidade distribuída em reconhecimento, preferência e audiência própria.
O caminho até o clique está ficando mais longo. A autoridade de quem produz a informação precisa se tornar forte o bastante para continuar relevante mesmo quando a plataforma tenta encerrar a jornada antes da fonte.
Referências e créditos
- Robby Stein, Google: anúncio do teste “Dive deeper”
- Search Engine Journal: Google Discover Test Adds Topic Overviews, Starting With Videos
- Search Engine Roundtable: Google Discover Tests Dive Deeper Feature
- Google Search Console: Generative AI performance report for Discover
- Google Search Central: Discover and your website
Sobre o autor
Felipe Bazon
Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.
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