Tabela de conteúdo
- 1. TL;DR
- 2. O que o Google publicou?
- 3. Por que a União Europeia interveio?
- 4. O que será compartilhado — e o que ficará de fora?
- 5. Quem poderá solicitar os dados?
- 6. Chatbots de IA poderão participar?
- 7. Fatos, interpretação, inferência e hipótese
- 8. Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
- 9. Conclusão
- 10. Referências
Buscadores elegíveis poderão licenciar dados anonimizados de consultas, rankings, cliques e visualizações; o programa não inclui o algoritmo nem funciona como uma API pública de SEO.
O ativo que ajudou o Google a consolidar sua vantagem em Search — dados de comportamento em uma escala difícil de reproduzir — deverá ficar menos exclusivo na Europa.
Em cumprimento ao Digital Markets Act, o Google detalhou como buscadores concorrentes poderão acessar parte dos dados gerados por usuários da Pesquisa. A Comissão Europeia inclui explicitamente nesse grupo os chatbots que oferecem funções de busca.
Isso não significa que o algoritmo do Google será aberto ou que qualquer profissional de SEO poderá baixar uma base de rankings. Mas representa uma tentativa concreta de reduzir uma das maiores barreiras à concorrência: a quantidade de dados necessária para desenvolver e melhorar um mecanismo de busca.
TL;DR
- O Google atualizou em set. 1, 2026 a documentação do European Search Dataset Licensing Program.
- O conjunto abrange dados de consultas, rankings, cliques e visualizações gerados no Espaço Econômico Europeu.
- Buscadores elegíveis podem participar, incluindo chatbots que oferecem busca na web.
- O programa possui critérios de escala, operação, segurança, privacidade e auditoria.
- Uma amostra gratuita de mil linhas e outras amostras pagas estarão disponíveis a partir de nov. 16, 2026.
- O programa não compartilha o algoritmo do Google e não funciona como uma API pública para SEO.
- Não há confirmação de que OpenAI, Anthropic, Perplexity ou outra empresa tenha solicitado acesso.
Neste artigo, você vai entender:
- quais dados o Google terá de disponibilizar;
- por que a União Europeia interveio;
- quem poderá solicitar acesso;
- por que chatbots com busca podem participar;
- o que o programa não oferece;
- como a medida se relaciona com ChatGPT, SEO e GEO;
- o que marcas e equipes de Search devem monitorar.
O que o Google publicou?
A página do European Search Dataset Licensing Program, atualizada em set. 1, 2026, apresenta critérios de elegibilidade, tipos de amostra, exigências de segurança e o processo inicial de manifestação de interesse.
O programa decorre do artigo 6(11) do Digital Markets Act. A Comissão Europeia adotou a decisão final com as medidas em jul. 16, 2026, mas o novo documento do Google transforma a obrigação regulatória em um processo mais concreto.
O conjunto especificado inclui dados provenientes da Pesquisa no Espaço Econômico Europeu, como:
- consultas realizadas;
- idioma e tipo de dispositivo;
- posição de um resultado;
- URLs visualizadas;
- cliques e outras interações;
- dados de visualização dos resultados.
Segundo a Comissão Europeia, o objetivo é permitir que outros mecanismos desenvolvam e aprimorem suas próprias tecnologias de busca.
Por que a União Europeia interveio?
O Google já disponibilizava uma modalidade de acesso desde 2024. A Comissão, entretanto, concluiu que a implementação inicial não havia produzido adesão relevante.
Entre os problemas identificados estavam a remoção de 90% a 100% das consultas únicas e a exclusão de chatbots que também forneciam serviços de busca.
A lógica da intervenção é relativamente simples.
O Google utiliza consultas, cliques, visualizações e interações para melhorar a qualidade de seus serviços. Um concorrente com uma base muito menor encontra dificuldades para acumular um volume equivalente de sinais.
O Digital Markets Act procura reduzir essa vantagem estrutural obrigando o Google a compartilhar uma parte dos dados em condições consideradas justas, razoáveis e não discriminatórias.
Isso não elimina a vantagem do Google. Tampouco transfere automaticamente sua qualidade, tecnologia ou participação de mercado aos concorrentes. O programa tenta reduzir uma barreira específica: a falta de dados de busca em escala.
O que será compartilhado — e o que ficará de fora?
A diferença é importante para evitar uma leitura exagerada da mudança.
| O que o programa contempla | O que o programa não oferece |
| Dados anonimizados de consultas | Código ou algoritmo do Google |
| Posição dos resultados | Pesos dos fatores de ranqueamento |
| Cliques e visualizações | Histórico completo de usuários |
| URLs e interações selecionadas | Informações de contas |
| Metadados como idioma e dispositivo | Acesso público para ferramentas de SEO |
| Amostras e conjunto licenciado | Reprodução integral da base interna do Google |
Consultas muito longas ou contendo termos raros poderão ser suprimidas. Localizações serão generalizadas, horários exatos não serão fornecidos e os dados passarão por alterações destinadas a reduzir o risco de reidentificação.
Portanto, não estamos diante de um novo Search Console, de uma API de rankings ou de um vazamento documentado do algoritmo.
Quem poderá solicitar os dados?
O acesso será restrito a empresas que realmente operem mecanismos de busca no Espaço Econômico Europeu.
Entre os critérios divulgados estão:
- oferecer um serviço de busca direcionado a usuários do EEE;
- possuir pelo menos 50 mil usuários médios mensais de busca na UE;
- operar há dois anos ou, no caso de uma empresa mais nova, ter recebido ao menos € 50 milhões em investimentos;
- atender a requisitos de proteção de dados e segurança;
- passar por auditoria independente;
- não estar sujeita a sanções ou a determinados riscos estatais de segurança.
O Google informa que uma amostra de mil linhas será gratuita. Também existirão uma base sintética com até 10 milhões de consultas e uma amostra correspondente a 5% do conjunto, ambas pagas.
As amostras deverão estar disponíveis em nov. 16, 2026. Detalhes adicionais do contrato de licenciamento serão fornecidos a candidatos relevantes a partir de set. 17, 2026.
Chatbots de IA poderão participar?
A Comissão Europeia afirma expressamente que chatbots com funções de busca podem ser beneficiários elegíveis.
Esse ponto ganhou ainda mais importância depois que, em ago. 31, 2026, a Comissão classificou o ChatGPT como um mecanismo de busca online de muito grande porte.
A OpenAI declarou que o ChatGPT Search teve aproximadamente 159,1 milhões de usuários ativos mensais na União Europeia durante o período de seis meses encerrado em mar. 31, 2026.
As duas decisões, contudo, pertencem a leis diferentes.
A designação do ChatGPT aconteceu sob o Digital Services Act, voltado a riscos, responsabilidade e transparência. O compartilhamento de dados do Google decorre do Digital Markets Act, focado em concorrência e no poder dos chamados gatekeepers.
Ser reconhecido como mecanismo de busca pelo DSA não concede automaticamente acesso ao programa do Google. A empresa interessada ainda precisa solicitar participação, cumprir os critérios, aceitar os contratos e passar pelas verificações exigidas.
Também não existe confirmação de que a OpenAI tenha feito isso.
Fatos, interpretação, inferência e hipótese
Fatos confirmados
- O Google atualizou a página do programa em set. 1, 2026.
- O conjunto inclui dados anonimizados de consultas, rankings, cliques e visualizações.
- Chatbots que oferecem busca podem ser elegíveis.
- O acesso exige escala mínima, controles técnicos e auditorias.
- O programa não compartilha o algoritmo do Google.
- O ChatGPT foi classificado separadamente como mecanismo de busca de grande porte sob o DSA.
Interpretação
A União Europeia está tratando os chatbots como participantes reais do mercado de Search. Eles não precisam reproduzir uma SERP com dez links azuis para exercer uma função de busca.
Inferência
Se concorrentes obtiverem dados suficientes para melhorar recuperação, ordenação e avaliação de resultados, as diferenças de qualidade entre o Google e outros mecanismos poderão diminuir em determinadas jornadas.
Isso pode ampliar a fragmentação da descoberta e tornar a mensuração por plataforma ainda mais importante.
Hipótese
Empresas como OpenAI, Anthropic ou Perplexity podem se interessar pelo programa. O acesso poderia influenciar a qualidade de suas respostas, mas não existem inscrições confirmadas nem evidências de impacto sobre citações, recomendações ou participação de mercado.
Por que isso importa para SEO, GEO e Organic Visibility?
Para SEO, nada muda imediatamente nos fatores de ranqueamento do Google. Rastreamento, indexação, arquitetura, conteúdo, autoridade e experiência continuam sustentando a visibilidade orgânica.
Para GEO, o movimento reforça que as ferramentas generativas estão construindo infraestrutura própria de busca. A presença precisa ser medida separadamente no ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity, AI Overviews e AI Mode.
A própria OpenAI explica que o OAI-SearchBot é responsável por encontrar páginas para os recursos de busca do ChatGPT. Bloqueá-lo impede que o site seja exibido como fonte, embora links de navegação ainda possam aparecer.
Organic Visibility conecta todo esse sistema.
A jornada pode começar em um chatbot, continuar no Google, passar por uma comunidade e terminar no site da marca. Como explicamos em nosso guia de Search Everywhere Optimization, a estratégia precisa acompanhar onde a pesquisa e a decisão realmente acontecem.
Conclusão
O Google não está entregando seu algoritmo aos concorrentes. Está sendo obrigado a reduzir a exclusividade sobre uma parte dos dados que ajudaram a construir sua vantagem.
Ao mesmo tempo, a União Europeia reconhece que um chatbot capaz de pesquisar a web também exerce a função de mecanismo de busca.
Os dois movimentos confirmam uma transformação que vai além das interfaces. Search está se tornando um ecossistema com mais mecanismos, mais respostas diretas e mais caminhos para encontrar uma marca.
GEO sem SEO não existe. Mas SEO medido apenas dentro do Google já não descreve toda a disputa por visibilidade.
Na Hedgehog Digital, agência de SEO especializada em GEO, nossa consultoria de GEO conecta infraestrutura técnica, conteúdo, autoridade, pegada digital e AI Visibility para transformar presença em resultado de negócio.
O Básico continua Avançado.
Referências
- Google Search Central: European Search Dataset Licensing Program — atualizado em set. 1, 2026.
- Comissão Europeia: compartilhamento de dados do Google Search.
- Comissão Europeia: designação do ChatGPT sob o DSA — publicada em ago. 31, 2026.
- OpenAI: usuários mensais do ChatGPT Search na União Europeia.
- OpenAI: documentação dos rastreadores.
- Search Engine Roundtable: detalhes do programa europeu.
Sobre o autor
Felipe Bazon
Felipe Bazon é CSO da Hedgehog Digital e um dos profissionais de SEO mais renomados do país com reconhecimento internacional. Em 2015 e 2020 foi eleito profissional do ano de SEO no Brasil. Além da vasta experiência operacional, é também orador regular em eventos como E-show, OME Expo, Des-Madrid, Digitalks, RD Summit e Brighton SEO.
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Felipe Bazon