O relatório anual do Google sobre Top Search Trends revela como o comportamento e a intenção de busca evoluíram em 2025 e quais ajustes estratégicos em SEO, GEO e marketing são necessários para responder a jornadas mais fragmentadas, multimodais e assistidas por IA em 2026.
Já se foi o tempo em que o grande objetivo de uma otimização de SEO era conquistar cliques para o site.
No cenário atual, com jornadas fragmentadas e interação com IA em quase todo o processo, não dá só para olhar para o retrovisor para desenhar estratégias.
Mas isso não quer dizer que análises históricas não ajudem, pelo contrário. O Google, inclusive, publicou um artigo sobre o tema, ajudando a analisar as tendências de 2025 e mostrar como isso pode ajudar nas estratégias de Marketing de 2026.
Neste conteúdo, traço algumas correlações interessantes entre o que o Google compartilhou e outros dados e informações, como os da State of Search Brasil 6, nossa pesquisa que monitora e ajuda a compreender o comportamento de buscas dos brasileiros.
Também compilei alguns dos conhecimentos que compartilhei em meu webinar sobre Previsões e Tendências de SEO para 2026. Vale conferir.
Top Search Trends 2025 e sua relação com as tendências de SEO para 2026
Se o nosso comportamento de buscas mudou enquanto usuários, precisamos também direcionar nossas estratégias para este caminho se quisermos nos destacar.
De keywords a conversas: consultas mais longas e exploratórias
Os usuários fazem perguntas mais abertas e complexas do que antes. Isso está relacionado a uma das maiores transformações no comportamento digital dos últimos meses / anos, que é o uso de IA.
Com queries mais específicas e detalhadas, a implicação prática está no fato de que o planejamento de conteúdo agora deve considerar o mapeamento de jornadas completas, não apenas de termos isolados.
Isso também está ligado a tríade de que comentei em meu webinar: E-T-I.
- Entity Optimisation (entidades): não é só sobre palavras-chave, mas sobre ser reconhecido como uma “entidade” pelo Google Knowledge Graph, o que ajuda muito a ter resultados distintos na SERP (falei sobre isso no artigo sobre tendências de Marketing para 2025).
- Topical Authority (autoridade de tópico): cobrir um tema com amplitude e profundidade suficientes para gerar relevância e autoridade.
- Information Gain (ganho de informação): o Google agora pontua conteúdos que trazem informações inéditas ou perspectivas exclusivas. Em outras palavras, o “mais do mesmo” da IA, sem edição e revisão humana, não cola.
O “porquê” das buscas continua, que é a redução da incerteza. O que mudou é o “como”: conversas + multimodal.
Inclusive, na State of Search Brasil mostra uma alta adoção de IA, embora ainda com baixa dose de confiança e uma validação ativa:
- 81% já usaram alguma ferramenta de IA;
- 93% não confiam completamente nas respostas;
- 80% checam as respostas, enquanto 65% checam em outros buscadores.
A exploração não se dá apenas dentro da mesma ferramenta de IA, mas também em outros motores de busca, o que mostra um pouco do comportamento dos usuários atuais.
Visual Search: se o usuário pode ver, ele também pode querer comprar
Se você já fez alguma busca com o recurso “circule para pesquisar” ou jogou uma imagem no ChatGPT/Gemini para saber qual é aquele produto, sabe o quão prático é o recurso, que está crescendo com força.
No Google Year in Search 2024, notou-se que as pessoas usavam o Lens e o “circule para pesquisar” para buscar por traduções, compras e identificação de coisas. Este ano, o comportamento aprofundou:
- Pesquisas no Lens estão entre os tipos que mais crescem, com mais de 25 bilhões de queries por mês.
- 1 a cada 5 buscas no Google Lens mostram intenção comercial.
Isso acende um alerta muito importante nas Top Search Trends 2025. Feeds, imagens, dados estruturados, disponibilidade e contexto também passam a ser estratégias de otimização on-page para páginas de produtos.
Tal tendência torna necessário um checklist mínimo para 2026:
- Alto padrão de imagem (qualidade, consistência e até alt text orientado a intenção);
- Schema de Product / Offer / AggregateRating;
- Conteúdo visual que seja “comprável”, como guias de estilos, comparativos, seleções e por aí vai.
Já falei por aqui (em 2024, inclusive) sobre o Virtual Environment Optimisation (VEO), que consiste na otimização de ambientes virtuais. Não é exatamente a mesma coisa, mas está conectado com as otimizações de ambientes virtuais também pensando na compra.
Esse movimento também aparece quando olhamos para os dados da State of Search Brasil 6. Apesar de as buscas por texto ainda liderarem, a pesquisa por imagem já faz parte da rotina dos usuários, principalmente no mobile. 17% das pessoas afirmam usar imagens para pesquisar no smartphone ou tablet, enquanto 12% fazem esse tipo de busca pelo computador ou notebook.
Quando o usuário recorre à busca por imagem, o objetivo é bastante claro: buscar informações sobre produtos. Esse padrão se repete nos dois tipos de dispositivos e mostra que a imagem não entra apenas como curiosidade visual, mas como um recurso ativo nas etapas de descoberta e consideração.
Outro ponto interessante é que, na maioria dos casos, as pessoas preferem anexar uma imagem no campo de busca, em vez de tirar uma foto na hora.
Embora a pesquisa tenha como base o comportamento dos brasileiros, os sinais observados acompanham um movimento mais amplo de busca visual, alinhado ao crescimento global de recursos como o Google Lens.
Na prática, isso reforça que a pesquisa por imagem deixou de ser exceção e passou a integrar jornadas de busca e decisão em diferentes mercados.
“Fan culture” e creators: o novo meio do funil agora é “confiança por validação social”
É inegável que nosso comportamento de compra hoje é, em boa parte, espelhado do que criadores de conteúdo compartilham.
Se queremos comprar uma câmera semiprofissional, por exemplo, conteúdos de creators costumam estar entre os que mais influenciam.
Este comportamento também se repete em várias outras situações, de planos de saúde para pets a automóveis e restaurantes na sua cidade.
Criadores de conteúdo já fazem parte de nossas jornadas digitais e influenciam nosso consumo e decisões. Isso coloca o YouTube e outras mídias sociais como continuidades naturais das pesquisas.
Ao mesmo tempo, isso coloca seus conteúdos como possíveis participantes das jornadas de milhões de usuários de internet, desde que ele esteja bem otimizado e seja preparado para isso.
Vale olhar para seus canais e conteúdos com outra ótica. Eles podem ser distribuídos entre alternativas para atender aos seguintes propósitos:
- Informar;
- Considerar;
- Comprar;
- Validar.
A depender da melhor classificação, a estratégia de conteúdo também pode mudar para que, seja qual for o intuito daquela peça de conteúdo, ela cumpra seu papel muito bem.
Isso fará com que o Google recomende este conteúdo e que as IAs também queiram citá-lo. Se quiser mais informações, leia este meu artigo sobre como ser citado pelas IAs.
“Search Everywhere” não é slogan: é comportamento
Abordei um ponto interessante em meu webinar: Search Everywhere. A jornada de busca não começa e nem termina apenas no Google, passando por YouTube, Instagram, Reddit, TikTok, Amazon e vários outros pontos de contato.
A State of Search Brasil 6 mostrou que os principais canais de busca para produtos / serviços atualmente são Google (70%), Instagram (54%) e Amazon (49%). Se você achava que a Amazon é só para fundo de funil, então, se enganou.
SEO não pode mais ser “só no site”. Ele deve consistir em presença orgânica em um ecossistema, o que casa completamente com a tese de Organic Search Optimisation (OSO).
Se quiser começar hoje, vale iniciar com este plano de governança:
- Mensagem e entidade (narrativa de marca + consistência)
- Conteúdo por formato (artigo, vídeo longo vídeo curto, UGC, FAQ etc.)
- Distribuição (site + YouTube + podcast + social + marketplace)
- Mensuração (KPIs unificados ou que se complementam / conectam ao longo da jornada)
IA nas buscas: adoção aumentou, mas falta de confiança ainda exige “dupla checagem”

Imagem de referência extraída de conteúdo oficial da Hedgehog.
Se 81% dos usuários já utilizaram IA, mas 93% não confiam completamente, isso claramente mostra um grande espaço para um velho conhecido: o SEO.
A otimização orgânica vira uma camada de credibilidade. Se você não aparece bem no “validador de informações”, pode perder o jogo. Mas recorrer às IAs para fazer pesquisas, porém, passa longe de ser algo que vai contra o SEO.
As informações usadas pelos motores de IA para consolidar as respostas seguem sendo os conteúdos disponíveis na internet. A diferença é que o usuário não percorre mais essa jornada sozinho, mas sim com uma IA ao seu lado.
Para que isso não prejudique os resultados de suas estratégias de SEO, é indispensável preparar conteúdos e jornadas que façam sentido para o usuário e também para as máquinas de busca e consolidação de resultados.
Não sabe por onde começar? Sugiro que leia meu artigo sobre o Query Fan-Out do Google, que ajuda a entender melhor como funciona o processo de busca do Google para trazer os resultados com auxílio de IA. Isso pode aumentar suas chances de ser citado.
Do SEO ao GEO: o novo pilar para não perder presença quando os cliques desaparecem
O conceito de Generative Engine Optimisation (GEO) explica a prática de otimizar conteúdos para que sejam processados e usados pelo ChatGPT, Gemini e por aí vai. Este é o caminho para se manter relevante no SEO atualmente.
Ainda dentro do E-T-I que mencionei anteriormente, você deve ter presença consistente, cobrir temas com profundidade e densidade e fugir daquele conteúdo “mais do mesmo”, trazendo novidades reais e que te tornam único perante a concorrência.
Suas otimizações não devem mais pensar apenas no “SEO raiz”, mas também nas respostas geradas por IA. Com jornadas cada vez mais específicas e personalizadas, ser citado onde realmente importa é mais da metade do caminho.
Aplique o seguinte checklist para começar com o GEO para 2026 de maneira bem prática e assertiva:
- Invista pesado em dados estruturados. Organization, Person, Article, FAQPage, Product, Review e LocalBusiness são alguns atributos fundamentais.
- Crie ou otimize sua Entity Home. Página de “quem somos” deve ser tratada como a “home da entidade”. Vale abordar prêmios ganhos, cases de sucesso, citações na imprensa, quem faz parte da equipe, certificações conquistadas, dados estruturados e tudo mais que possa ajudar a agregar credibilidade.
- Crie conteúdo para citação. Parágrafos curtos e diretos, definições claras, tabelas comparativas, FAQs e tudo mais que nós, enquanto usuários, gostamos de encontrar: informações claras e legíveis.
- Monitore. Acompanhe como o ChatGPT, Gemini, Perplexity e outros motores de IA Generativa estão citando (ou não) sua marca. Neste artigo sobre como usar ChatGPT para SEO e GEO, trago uma curadoria bem bacana de ferramentas que podem ajudar nisso.
O que medir quando o tráfego informacional cai?
Este novo cenário pinta possibilidades diferentes, mas um destaque que preocupa: a queda das sessões. Por isso, é importante acompanhar outros indicadores que vão além disso.
Hoje, o “Flywheel” das buscas saiu de performance isolada e passou para um verdadeiro ativo de marca. Vale abordar o seguinte em seus monitoramentos:
- Branded Search
- Share of Search / Share of Voice orgânico
- Conversões assistidas por orgânico (não só last-click)
- Menções e citações em IA
- Crescimento de páginas transacionais e taxa de conversão
Com um leque mais amplo de possibilidades, oportunidades e caminhos, você também precisa dar um “zoom out” em sua análise para analisar outras correlações.
O novo SEO demanda um novo profissional de SEO
2025 deixou um recado claro: Search passou a ser uma jornada fragmentada, multimodal e com muita assistência de IA. 2026 vai cobrar uma postura muito mais madura e robusta neste sentido.
O jogo não é mais “ganhar cliques”, mas sim ganhar confiança em uma jornada onde o usuário pesquisa em todo lugar, fala com a IA durante todo o processo e valida no que considera como uma fonte sólida.
O SEO segue sendo este validador, mas só para marcas que tratam Entity, Authority e Information Gain como base de seu trabalho.A Hedgehog Digital é uma agência de SEO que está na vanguarda do novo SEO, pronta para te ajudar neste novo cenário. 2026 está só começando, mas seja o que vier pela frente, saiba que já estamos nos preparando para agir com maestria e credibilidade.


